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domingo, 7 de junho de 2020

Alfabetização científica


Uma das partes boas do distanciamento social é a possibilidade de ler! Inclusive concluindo algumas daquelas histórias que estavam paradas e aguardando uma chance de serem encerradas.
É o caso do livro “A arte de questionar: A filosofia do dia a dia”, de A. C. Grayling, que devo ter parado lá em 2016. Agora estou com a meta de terminar mais essa leitura. Anthony Clifford Grayling é doutor em Filosofia, tendo nascido no Reino Unido em 3 de abril de 1949. No livro foram reunidos artigos publicados pelo autor em suas colunas no jornal inglês Times e na revista Prospect. Na época, foi justamente uma aquisição para ampliar meu lado questionador, enquanto trabalhadora da área de jornalismo.

Na contracapa, segundo a Booklist:
Diferente de outros filósofos acadêmicos, A. C. Grayling se importa demais com a filosofia para mantê-la em sala de aula. De fato, ao aplicar o hábito filosófico de pensar aos problemas da vida cotidiana, ele abre horizontes significativos.
O meu exemplar é de 2015, mas a obra foi publicada originalmente em 2010. Retomei a leitura justamente no capítulo “Alfabetismo Científico”, que trata da importância dos resultados e dos métodos científicos terem mais aproximação com o público em geral. Ele escreve que a promoção do alfabetismo político “se tornou mais urgente do que nunca”.
A necessidade teria surgido ainda nos anos 1990, pois estatísticas demonstravam que havia uma tendência de declínio neste conhecimento, em pesquisas feitas com estudantes de ensino médio e de levantamento de nível de informação do público em geral. A indicação dele era de que ser alfabetizado cientificamente ajudaria na capacidade de usar esses conhecimentos em proveito da própria saúde, exercícios, dieta, responsabilidade social e quem sabe até na hora da escolha de representantes por meio do voto. E como isso agora nos parece atual! Notadamente depois de que vimos muitas pessoas voltarem a ter doenças antes já com possibilidade de prevenção pela existência das vacinas.

O autor afirma:
Manter-se informado sobre o que está acontecendo nas ciências e na tecnologia deveria ser uma coisa natural para indivíduos atentos, a despeito de sua formação educacional ou ocupação. Não há desculpa para que as pessoas fiquem mal informadas diante de tantas revistas e livros de boa qualidade que tornam o conhecimento científico possível para aqueles que não têm formação nessa área. O engajamento ativo em qualquer ramo da ciência, obviamente, exige especialização, mas o mesmo não acontece para uma apreciação inteligente de relatórios sobre resultados, importância e possíveis aplicações de pesquisa.  

Anotações…
O mais interessante foi que junto ao livro estavam algumas anotações que fiz em uma palestra do jornalista Jorge Duarte. E que me mostram o quanto nós que trabalhamos em assessorias de comunicação de órgãos específicos devemos nos preocupar com o jornalismo científico. Imagino que o encontro tenha ocorrido num evento da Embrapa Rondônia, já que Jorge Duarte faz parte da equipe nacional da Embrapa.
Ele falava que um portal é um canal de mídia com conteúdo. Entre essas ferramentas possíveis de divulgação estavam, além do site, a revista, revista para crianças (públicos específicos), entre outros meios. E depois se perguntava “Como explicar os resultados de sua pesquisa para o público leigo?” Reside aí a nossa principal dificuldade, apresentar para um público mais amplo esses dados. Entretanto, que seja de uma forma a melhorar essa comunicação com todo o país e seus diferentes tipos de público sobre os conhecimentos produzidos pela ciência e inovação da área pública, especialmente.
“Por que divulgar ciência?” Continuava a indagação de Jorge Duarte. “Porque é o público que paga pela ciência”, ele mesmo respondeu à época.
Na pesquisa apresentada por ele, a população brasileira gostava de ciência. Sendo que Ciência e Tecnologia interessavam a 65% dos brasileiros, mais até que esporte, que tinha 62% do interesse nacional. Só que havia um problema, pois 87% dos entrevistados daquela pesquisa não sabiam listar um cientista e 81% não sabia citar uma empresa que fizesse ciência. Jorge Duarte asseverou: era uma “base frágil”, um “desconhecimento científico”, portanto.
“Tem que fazer as pessoas terem interesse em conhecer ciência”! Dizia o jornalista, que é autor de livros da área de comunicação. No exemplo de seu órgão de origem, a Embrapa, ele cita que havia um trabalho para: Comunicar ciência, Popularizar Ciência, e Apoiar e qualificar processos. Enfim, que era (e ainda é!) necessário passar de pescadores e caçadores, o que significa dizer que não dá para esperar que alguém agarre a isca, mas sim descobrir onde estão as pessoas e motivar para que venham!

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Pensando sobre jornalismo científico

Assinale a opção correta com relação a divulgação científica e jornalismo científico:

a) A relação do jornalismo científico com a ciência e com os fatos produzidos pelos cientistas deve basear-se estritamente na tradução desses fatos para o público, pois não é seu papel fazer leitura crítica da ciência.

b) Uma das funções do jornalismo científico é a transferência de informações científicas e tecnológicas, transcritas em códigos especializados, a um público seleto, formado por especialistas.

c) Quando a divulgação científica se apropria da cultura e dos meios jornalísticos, o jornalismo científico torna-se um gênero da divulgação científica.

d) O jornalismo científico é o meio de que dispõe a ciência para tornar públicas, em um contexto de interpares, as produções mais recentes do meio científico.

e) São mídias do jornalismo científico os veículos não tradicionais como histórias em quadrinhos, fascículos, livros, incluindo os didáticos, exposições e dias de campo.


Parabéns a quem respondeu a letra “C”. A questão caiu na prova da UnB/CESPE em 2010 para o cargo de jornalista da Defensoria Pública da União. Não fiz esse concurso, mas me interessou o tema jornalismo científico, pois tem muita relação com a área de educação, hoje trabalho em uma instituição em que se leciona do Ensino Médio Integrado ao Técnico à Pós-Graduação. E, portanto, desenvolve pesquisas.

Em evento que discutiu no início deste ano o tema água e a comunicação, em São Paulo, a Revista Imprensa (nº 266 – Abril/2011) trouxe uma fala da diretora técnica da Opersan mostrando que os jornalistas têm dificuldade em entender termos técnicos e institucionais. “Muitas vezes sentimos que o jornalista sente dificuldade até mesmo no tipo de pergunta que ele deve fazer. Isso acaba resultando em termos e informações equivocadas. Mas nós, como especialistas, devemos contribuir para uma aproximação”.

Essa foi a minha luva. Porque, em assessoria de imprensa, jornalista convive mais próximo ao pesquisador. Precisa realmente entendê-lo para passar informação a outros profissionais da imprensa e da comunidade.

Exame – Em outra prova, não sei precisar para qual instituição, foi cobrado o seguinte tema:

Jornalismo científico como característica de seus texto o uso de metalinguagem, exemplos e analogias, além de associações típicas do senso comum.

Quer dizer, tornar o texto mais claro, para que outros públicos entendam o tema. Pensa que é fácil? Quer saber mais sobre jornalismo científico deixo alguma dicas abaixo:

Aqui tem a opção do Curso On line de Jornalismo Científico: http://www.wfsj.org/course/pt/

Indicação de textos sobre Jornalismo Científico, especialmente de Wilson da Costa Bueno (professor da UMESP e USP): http://bit.ly/iKiWJy

Ou, caso tenha interesse em cursar uma pós na área, o Instituto Superior de Ciências da Saúde do Norte abriu este curso: http://bit.ly/jdAzkg