domingo, 16 de abril de 2017

Objetividade e ciência

Sendo jornalista me interesso pelo tema objetividade. No caso do post de hoje, estará relacionado à ciência.
Sobre o fazer científico: no jornalismo o tema pode ser utilizado em matérias de cunho científico, e até mesmo o jornalismo é uma disciplina científica. Portanto, academia científica está ligada a questões comunicacionais.
 [...]A racionalidade tomada, então, à luz do ideal da objetividade desemboca na noção de lei do objeto, que, por estar referia ao objeto morto, permite cálculo, previsão, manipulação. A racionalidade abstrata das leis tem um papel bastante preciso: permitir o controle e a instrumentalidade de todo o real. O objeto completamente determinado, isto é, a objetividade, é o objeto completamente dominável, tanto no nível do saber quanto no nível da ação.  [...]Na base da oposição ideologia-ciência (entendida como oposição entre lacunar e pleno, não-objetivo e objetivo), encontra-se certa noção de objetividade que se acha presente tanto na ideologia quanto na ciência, de tal modo que criticar a primeira pela segunda em nome da objetividade gera um engano infindável. Em outras palavras, uma das possibilidades para a elaboração do discurso crítico como contradiscurso encontra-se na possibilidade de realizarmos uma crítica da própria noção de objetividade, em cujo nome ideologia e ciência de digladiam. 
As passagens acima são do livro de Marilena Chaui “Cultura e Democracia – o discurso competente e outras falas”, em que a filósofa analisa que a ciência enquanto racionalidade “realiza as finalidades da ideologia muito melhor do que a velha ideologia lato sensu”. Então, se nem o próprio discurso científico passa pelo crivo da objetividade sem ideologia, que se dirá do discurso jornalístico!

Uma vez construída a ideia de que o real é racional, e que essa racionalidade consiste num conjunto de leis universais e necessárias ou de modelos fixos, torna-se possível pensar a sociedade não como constituída pela divisão originária das classes, mas apenas contendo divisões. Que divisões a sociedade conteria? A das esferas chamadas instituições sociais. A sociedade é, então, considerada como composta por uma série de subsistemas ou de subunidades, cada um deles tendo sua racionalidade própria e, portanto, sua própria objetividade, sua própria transparência, suas próprias leis. Por outro lado, o todo da sociedade funcionaria graças a uma articulação harmoniosa desses vários subsistemas ou subunidades. Cada um deles possuiria a sua harmonia e, no todo, funcionariam harmonicamente. A explicação funcionalista e a explicação estruturalista são exemplares, neste particular, dessa racionalidade como um todo composto de partes. Ora, noções, como a de burocracia, organização administrativa e planejamento da sociedade estão vinculadas a essa concepção de um todo composto de esferas dotadas de racionalidade própria e articuladas, de sorte que a maneira pela qual a sociedade é pensada resulta na maneira pela qual se admite a racionalidade de suas formas de organização institucional.

É muito bom ler esse desvendamento feito por Chaui. É uma filósofa que considero muito importante. Mas saber que objetivo é o discurso científico, enquanto o não-objetivo estaria ligado ao discurso ideológico também não resolve nossas histerias por uma sociedade melhor. Vejamos o que diz outra passagem de seu texto:
 
Cometeríamos um grande engano se imaginássemos que a um discurso ideológico “falso” se opõe um discurso ideológico “verdadeiro”, que seria o discurso ideológico lacunar depois de preenchido.  Se preenchêssemos o discurso ideológico, na realidade estaríamos produzindo um outro discurso e o contraponto se estabeleceria, então, entre o discurso ideológico e um outro discurso não-ideológico lacunar. Seria ilusório imaginar que o mero preenchimento da lacuna traz a verdade. Dessa ilusão nasceu uma velha tradição hoje reavivada entre os pensadores contemporâneos por Louis Althusser: a ilusão de que a partilha se faz entre a ideologia e a ciência, isto é, a ciência considerada como discurso pleno oposto à ideologia como discurso lacunar. Na verdade o “corte” não  passa por aí. Se quisermos ultrapassar essa ilusão precisaremos encontrar um caminho graças ao qual façamos o discurso ideológico destruir-se internamente. Isto implica ultrapassar uma atitude meramente dicotômica rumo a uma atitude teórica realmente dialética, encontrando uma via pela qual a contradição interna ao discurso ideológico o faça explodir. Evidentemente, não precisamos aguardar que a ideologia se esgote por si mesma, graças à contradição, mas trata-se de encontrar uma via pela qual a contradição ideológica se ponha em movimento e destrua a construção imaginária. Essa via é o que domino discurso crítico. Este não é um outro discurso qualquer oposto ao ideológico, mas o antidiscurso da ideologia, o seu negativo, a sua contradição.
 
Para encerrar...


[...] Com efeito, a ideologia realiza uma operação bastante precisa: ela oferece à sociedade fundada na divisão e na contradição interna uma imagem capaz de anular a existência efetivada luta, da divisão e da contradição: constrói uma imagem da sociedade como idêntica, homogênea e harmoniosa. Fornece aos sujeitos uma resposta ao desejo metafísico da identidade e ao temor metafísico da desagregação.
[...] A ideia de que o Estado representa toda a sociedade e de que todos os cidadãos estão representados nele é uma das grandes forças para legitimar a dominação dos dominados.


E foi dia do jornalista...

A matéria foi feita para o site do IFRO (Instituto Federal de Rondônia), mas por se tratar de assessoria da qual faço parte, a publico aqui também. Vale como reflexão para o jornalismo em assessoria de imprensa:


Em 7 de abril comemora-se o Dia do Jornalista. A função do jornalismo é apurar fatos e levar as informações sobre os acontecimentos locais, regionais, nacionais e internacionais para as pessoas. No Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO) a atividade segue um fluxo em que representantes dos campi indicados pelas respectivas direções-gerais recebem informações, as organizam e repassam para publicação no portal institucional ou outros espaços destinados à comunicação: redes sociais oficiais (FacebookTwitterInstagram e Youtube), newsletter e panorama semanal (distribuídos para pessoas e instituições cadastradas em um mailing list de contatos). 

O jornalista Dennis Weber, que atua há pouco mais de um ano no IFRO, afirma que o trabalho na Assessoria requer o domínio de muitas habilidades, dentre elas o conhecimento de linguagens diversas para a concepção e disseminação dos produtos comunicacionais. “Como trabalhamos com textos, vídeos e áudios, temos que estar atentos às últimas tendências sobre os discursos a serem adotados, para transmitir as informações da forma mais objetiva possível. Nas redes sociais não é diferente: a comunicação instantânea desses veículos de comunicação também exige uma adequação nos textos e imagens que divulgamos”, explica acrescentando que o trabalho em equipe e a troca de conhecimentos sobre o fazer comunicacional é o que move o trabalho da Ascom: “mesmo com funções delimitadas, trabalhamos em equipe, tanto na concepção dos textos, artes, quanto na construção de documentos que norteiam os trabalhos de comunicação e difusão dentro do Instituto”. 
A atuação do jornalista na Assessoria de Comunicação é essencial para trabalhar a imagem da instituição, explica a jornalista Ariadny Ferreira. Ela acrescenta que os jornalistas “enfrentam desafios diários para trabalhar a comunicação tanto de forma interna quanto externa. A função tem sido cada vez mais bem aceita e valorizada dentro das empresas, que têm avaliado a importância do profissional, que objetiva trabalhar a informação para que ela possa atingir a públicos diferenciados, levando conteúdos relevantes à comunidade de uma forma geral”.
Conforme lembra a jornalista Rosália Silva, a data 7 de abril é dedicada ao Dia do Jornalista brasileiro, como forma de homenagem ao trabalho dos profissionais da mídia em rádios, canais de televisão, sites ou jornais impressos. “No nosso caso, somos jornalistas do Instituto Federal de Rondônia, lotados na Ascom, a Assessoria de Comunicação e Eventos. Aqui nosso trabalho é atuar em conjunto com os campi para divulgar as ações de toda a instituição. Costumo sempre pensar que o serviço de um jornalista assessor de imprensa é uma ponte entre instituição a quem prestamos serviço, ao público direto ou indireto dela, e aos colegas da mídia. No caso de uma instituição pública como o IFRO, nosso trabalho envolve muito mais atenção ao acesso às informações e à prestação de um serviço a toda sociedade”.
Para a assessora de Comunicação e Eventos, a programadora visual Janaina Ferri Candéa, enquanto servidores do IFRO, a comunicação é papel de todos, servidores e alunos. “Para a informação chegar até a assessoria, precisamos muito da atuação das coordenações e, consequentemente, envolver todos no processo comunicacional. Todos são importantes para a construção de uma comunicação mais eficiente”, reforça. Ela explica que aliada à Ascom, as Ccom/Ccevs (setores de comunicação dos campi) atuam no dia a dia visando fortalecer a comunicação institucional, tendo em vista a responsabilidade de defender o direito do cidadão à informação de qualidade, ética, plural e democrática.
No Brasil, assessores de imprensa e jornalistas de redação desempenham a mesma função, que é divulgar acontecimentos a públicos diversos. “A comunicação é importante pelo fato da assessoria ser responsável pela divulgação das informações, que deve ser feita de forma estratégica, daí a importância do profissional que atua nesta área. Além disso, o jornalista por ser uma figura imparcial garante veracidade às informações e desempenha papel essencial na padronização das informações, nos principais canais do IFRO, como portal de notícias, por exemplo, ao seguir critérios jornalísticos estabelecidos o jornalista garante que as informações divulgadas tenham alto padrão de qualidade e confiabilidade”, acrescenta Ariadny Ferreira.
Sobre seu trabalho no Campus Porto Velho Zona Norte, o coordenador Guilherme Freitas afirma ser muito “interessante a relação que se cria entre os profissionais da área da comunicação. Aqui no campus sempre precisamos de auxílio da Ascom e vice-versa, se estabelece uma parceria, sabemos que podemos contar um com outro”. No ano de 2016, a CCOM do Zona Norte contribuiu com 55 matérias jornalísticas que foram publicadas no site do IFRO. O trabalho conjunto ainda contribuiu para que mais de 32 matérias sobre a unidade fossem publicadas nos principais sites de notícias de Rondônia.
A atuação da comunicação em Ji-Paraná segue os mesmos passos dos outros campi, contribuindo para a publicização dos atos institucionais. "No Campus Ji-Paraná estamos frequentemente desenvolvendo ações na realização de eventos e projetos, que abordam os três eixos do IFRO: Ensino, Pesquisa e Extensão, bem como ações voltadas para a otimização da comunicação interna e externa do campus. Dessa forma a Coordenação de Comunicação e Eventos busca registrar essas ações por meio da disseminação das informações utilizando os mais variados veículos de comunicação, a fim de promover a divulgação", analisa a coordenadora de Comunicação e Eventos do Campus Ji-Paraná, Fernanda Rodrigues de Siqueira.
Em Colorado do Oeste, o Coordenador da CCOM, Neirimar Humberto Kochhan Coradini, salienta que “trabalhar com comunicação e eventos exige muito dinamismo. Nós comunicadores sempre tentamos saber tudo o que acontece na instituição para registrarmos e divulgarmos. Buscamos produzir as matérias da melhor maneira possível, para proporcionar uma leitura agradável e informativa. Procuramos participar da organização e realização de eventos, focando o sucesso na execução deles. E nos empenhamos em atender as demandas que envolvem as áreas de comunicação e eventos. Todavia, para termos êxito nisso tudo é preciso que todos colaborem e sejam conscientes que são importantes neste processo, desde os servidores que organizam uma atividade até os alunos que compartilham as publicações da instituição”.
No âmbito do IFRO foi criado o formulário para sugestão de pauta, em que todos podem contribuir com o trâmite das informações institucionais."O formulário é mais uma ferramenta que potencializa o trabalho de comunicação no IFRO, pois todos podem enviar suas sugestões de pauta, tanto da comunidade interna quanto do público externo", destacou o jornalista Dennis Weber. 
Origem do Dia do Jornalista
Criado pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI), o Dia do Jornalista iniciou no centenário de morte do médico e jornalista Giovanni Battista Libero Badaró, importante personalidade na luta pelo fim da monarquia portuguesa e Independência do Brasil, e que foi assassinado no dia 22 de novembro de 1830, em São Paulo.  Foi também no dia 7 de abril que a Associação Brasileira de Imprensa foi fundada, em 1908, com o objetivo de assegurar direitos aos jornalistas.
Segundo a Federação Nacional de Jornalistas, nas últimas décadas, o jornalismo foi reconhecido e se firmou, no Brasil, como um modo de ser profissional, exigindo dos profissionais competência técnica, responsabilidade social e compromisso ético. A atividade passou a ser fortemente vinculada ao interesse público, com crescente reflexão sobre a ética e as habilidades próprias das funções exercidas no jornalismo, nos seus mais variados formatos. 
Neste início de ano, a Fenaj e 31 sindicatos de jornalistas do país divulgaram o Relatório de Violência Contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil 2016, que demonstrou o aumento de 17,52% dos casos de violência contra jornalistas no Brasil, em relação ao ano de 2015. Foram registradas 161 ocorrências em que 222 profissionais de todo o país foram submetidos a agressões físicas ou verbais, ameaças, intimidações, cerceamento por meio de ações judiciais, impedimentos ao exercício profissional e à atividade sindical, prisão, censura, atentados e assassinatos.  Dados que demonstram o trabalho da comunicação continua sendo essencial ao exercício da democracia.

domingo, 2 de abril de 2017

Amanhã é segunda...

O que significam “dias úteis” e para que/quem servem?

Exatamente não pesquisei sobre a terminologia da palavra utilidade, nem estou pretendendo no momento. A reflexão me vem à cabeça ao observar o histórico da evolução de horas trabalhadas semanalmente:

No período de 1650-1750, trabalhava-se de 45 a 55 horas na Inglaterra e de 50 a 60 horas na França. No auge do desenvolvimento industrial essas horas sobem para 72 a 80 horas, nos dois países, entre 1750 a 1850. Passando no período 1850 a 1937 para 58 a 60 horas na Inglaterra e 60 a 68 horas na França. (Os dados são de Newton Cunha, em A felicidade imaginada: a negação do trabalho e do lazer).

 Parabéns aos seres humanos, de fato o trabalho dignifica o homem (e o aprisiona!)... bom, nem vou entrar aqui em temas como a reforma da previdência e terceirização total e irrestrita que movimentam o cenário brasileiro da atualidade. O que estou pensando nesta escrita de agora está em:

“Não foi fácil submeter os trabalhadores às longas jornadas e aos rígidos horários, pois a maioria deles não estava acostumada a isto”. 

 A citação acima está no livro Sociologia para o ensino médio, página 55, obra de Nelson Dacio Tomazi, pela Editoria Saraiva. E o não "acostumada" a esta jornada de trabalho significa que antes se trabalhava no campo, conforme o ritmo da natureza (época do ano, clima...).

É possível também imaginar que em razão de trazer essas verdades que disciplinas como sociologia estão sendo retiradas do currículo do ensino médio (que perigo se todos entendêssemos como tudo funciona nessa vida).  Na mesma página do livro acima é possível ler:

“Não se trabalhava nesse dia [santa segunda-feira] por várias razões, mas principalmente porque nos outros dias da semana trabalhava-se de 12 a 18 horas. Havia ainda a dificuldade de desenvolver o trabalho na segunda-feira por causa do abuso de bebidas alcoólicas, comuns no fim de semana. Nas siderúrgicas, estabeleceu-se que as segundas-feiras seriam utilizadas para conserto de máquinas, mas o que prevalecia não era o trabalho, que às vezes se estendia às terças-feiras. Foram necessários alguns séculos, utilizando os mais variados instrumentos, inclusive multas e prisões, para disciplinar e preparar os operários para o trabalho industrial diário e regular”. 

 Talvez, por isso, nunca me esquecerei de uma leitura do ensino fundamental: Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia! De Marina Colassanti:

"A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia".




 

sábado, 18 de março de 2017

Refletindo...

O livro Carnavais, Malandros e Heróis de Roberto DaMatta nos pergunta várias vezes: “você sabe com quem está falando”. Quantas vezes não passamos por cenas assim... no mundo da comunicação mesmo, se sou jornalista tenho (ou me aposso do) direito ao acesso a vários espaços...

 Porque acreditar num momento pleno de liberdade e criação como ocorre no carnaval, quando esse momento é, de fato, uma mentira, uma ilusão e um cardil de três noites? 


 Então, por que mesmo somos únicos? Se quiser mais informações para entender o brasileiro é uma sugestão a leitura da obra, para rever um pouco do autoritarismo, dos costumes e privilégios que temos estruturados historicamente. A sugestão de leitura me foi feita por um colega de trabalho. E independente de que tendência se apoie, DaMatta é um dos intelectuais que debate questões nacionais e considero sempre interessante observar vários pontos de vista.



Sobre o livro
Carnavais, malandros e heróis discute antropologicamente o que torna a sociedade brasileira diferente e única, seguindo análise crítica e comparativa de Roberto DaMatta. Ele que está com 80 anos, é natural de Niterói (RJ).

Conforme sinopse das livrarias que o vendem:




O que torna a sociedade brasileira diferente e única? Este livro responde a essa questão através do dilema que faz do Brasil um país de grandes desigualdades, mas de futuro promissor. Os ensaios de 'Carnavais, malandros e heróis' foram considerados, na época do lançamento, como uma visão inovadora e um esforço definitivo para o entendimento do Brasil. Embora o carnaval tivesse sido tema de alguns estudos, pela primeira vez um antropólogo considerou a sociedade através dessa e de outras festividades, transformando-as em janelas privilegiadas para as interpretações do Brasil. Para Roberto DaMatta, tanto o carnaval quanto seus malandros e heróis são criações sociais que refletem os problemas e dilemas básicos da sociedade que os concebeu. Mito e rito são, assim, dramatizações ou maneiras de chamar a atenção para certos aspectos da realidade social dissimulados pelas rotinas e complicações do cotidiano.

Já da análise sobre o personagem integrante da cultura portuguesa e brasileira, Pedro Malasartes, me fez assistir ao clássico Mazzaropi. Quantos exemplos de heróis e de malandros teremos nós!


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Comunicação integrada

Relembrar é necessário. Ainda mais quando vc começa a olhar material antigo e ver o quanto era importante cada tema abordado no curso de Pós-Graduação de Jornalismo Empresarial. E como minha memória é falha, vamos às anotações feitas em junho de 2013, aula da professora Dra. Lucelma Cordeiro...

Ah, antes de iniciar, lembro do post que fiz de leitura prévia do material enviado para nós, os estudantes. O nome era o mesmo da postagem de agora: Comunicação  integrada.


Margarida Kunsch, Professora da USP, é o grande nome dessa área. Ela quem ajudou a estruturar o que se entende por comunicação integrada no Brasil. Aqui podemos fazer uma analogia com o corpo humano/organismo, assim é a “organização”, em que podemos trabalhar para facilitar os sistemas internos.Visão holística das várias modalidades de comunicação. Junção da comunicação institucional/interna e administrativa/mercadológica. Um mix de comunicação.
Modernidade: - Fordismo: produção em massa;- Na comunicação de massa: espelha a realidade;- Simplicidade de organização social: tudo em “caixinhas”, nasceu artesão dará continuidade familiar;- Comunicação de um para todos. Pós-Modernidade:- Pós-Fordismo;- Produção Segmentada;- Comunicação Dirigida;- Comunicação de todos para todos.
Francisco Gracioso: Comunicação integrada ampliada ao marketingComunicação Integrada pressupõe:- Diálogo produtivo;- Planejamento conjunto;- Processo de tomada de decisões compartilhadas.Benefícios: eficácia da comunicação nas organizações, coerência da linguagem adotada.
Livro Marketing 3.0: mais que o tradicional, agregar valores sociais. Comunicação Interna: relacionamento ágil e transparente da direção com o público interno. Comunicação Institucional: visa o alcance da credibilidade. Comunicação Mercadológica: reforça a imagem de produtos e marcas. Jornalismo Empresarial: junto com pessoal de PP e de RP, forma o tripé clássico que organiza os fluxos de informação sobre as organizações. Assessoria de Imprensa: mediação entre organização e variados públicos.Identidade: o que a organização é, diz e faz.Imagem: é o que passa na mente do público. 

Lembre-se:
1 - “Oportunidades acontecem quando temos condição de aproveitar”
2 – Conheça! Na Guerra do Vietnã os donos da casa ganharam dos EUA porque conheciam o terreno.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Bebeu água do Madeira

Quem bebe água do rio Madeira não quer ir embora. Esta afirmativa é uma espécie de lenda da capital rondoniense. E eu tenho grande crença neste fato. Ao menos estou na cidade há mais de seis anos (ou oito de Rondônia). Vejo neste pequeno ínterim de permanência que se propaga uma “cultura” de identificação com a terra onde se vive muito maior hoje em dia. Ainda vi uma fase longa de “mal-querença”, por assim dizer, de virar as costas para a cidade e apenas querer levar delas suas riquezas.

Esse pensamento de fase nova se reafirmou após ler o livro de Aleks Palitot “Rondônia uma história”, em especial esse trecho:

“Cidade antiga, que infelizmente não vive e nem preserva seu passado. Parece ter vergonha da sua história e identidade”  (Palitot, 2006, p. 129).

Lógico, ainda precisa cuidar muito mais de seu patrimônio histórico. Mas como o próprio autor finaliza seu livro e seus pensamentos sobre a cidade:

“Nasci aqui, e tenho orgulho do meu DNA. Porto Velho te amo muito. Mas parece que aqui, a maioria são os que não te amam mais”. 

Assim como ele se diz amante de PVH, ouço hoje em dia muito mais relatos felizes envolvendo a cidade, muito mais reconhecimento por pertencer à comunidade urbana porto-velhense (tenho pouco contato com distritos e outras áreas rurais) deste município de extensões enormes (segundo Wikipédia: maior área territorial, com mais de 34 mil km², mais extenso que a Bélgica e Israel). Vejo pesquisadores identificando o orgulho de ser “bera”, de ser “beradeiro”.

Que esta fase tenha vida muito longa e todos os cidadãos daqui lutem por manter essa identidade e esse “bem-querer” ao local onde se vive e se consegue ganhar o pão. Sem ser bairrista, mas tenho tendência a gostar do local onde estou fixada (se fosse diferente, logo teria buscado outro ponto, outra paragem).

Se Rondônia é como diz Palitot, “um lugar de riquezas históricas e culturas variadas” (p. 13), então precisamos beber mesmo, e com muito orgulho, águas do Madeira, do Guaporé, do Mamoré, do Machado, do Jamari e de todos os rios que foram esse pedaço da Amazônia brasileira.

Para saber mais sobre o autor e o livro, pode-se consultar o blog dele: Aleks Palitot. 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Veias abertas, ainda...

Estava lendo críticas ao livro de Eduardo Galeano “As veias abertas da América Latina”, especialmente as publicadas em 2014 após a participação dele na 2ª Bienal do Livro de Brasília. Essa passagem me chamou a atenção para o que os meios de comunicação avaliaram como “arrependimento” ou que eles classificaram que Galeano achava – simplificadamente - “ruim” o texto.

Não sou estudiosa de Galeano, mas tenho comigo que o alvoroço foi criado erroneamente. O grande escritor na verdade foi mal interpretado. Ele disse algo mais profundo que isso.

Coloquei como meta concluir a leitura do chamado clássico das “esquerdas” e até o momento não vejo porque motivo Galeano não deveria ler ou escrever aquele texto novamente. É certo que é árido. Muito árido ler como fomos de alguma forma saqueados por outras potências (e por acaso deixamos de ser?).
Mas aquela é uma denúncia que precisava ser feita. Foi muito importante para a época e fez governos (muito deles militares) tremer (o livro foi proibido). Veja um exemplo de verdades que o livro traz:

Meu companheiro, camponês de fala guarani, desabafou algumas palavras tristes em seu castelhano. “Os paraguaios somos pobres e poucos” (Galeano, 2016, p. 265).

É certo que ele alegou não ter na época formação necessária em economia para a escrita, mas somente a reflexão de quanto o povo latino é e foi historicamente explorado já vale todo o trabalho. E vale ainda mais a sua leitura, é claro.

O que me chama a atenção é a mistura com a literatura feia na obra, porque livros de Jorge Amado também são referências (São Jorge de Ilhéus e Gabriela – Cravo e Canela) no capítulo “Plantadores de cacau acendiam seus charutos com notas de quinhentos mil-réis”. Mas a literatura não é espaço de denúncia, em que gritos podem ecoar e mostrar realidades?

Em tempo, ainda registro com olhar de admiração porque a obra de Galeano dialogou com clássicos brasileiros: “Formação Econômica do Brasil” de Celso Furtado, “História Econômica do Brasil” de Caio Prado Júnior, títulos de Darcy Ribeiro, dentro outros que se somam a autores argentinos, mexicanos, uruguaios, peruanos, chilenos, bolivianos...


Outras informações encontradas na internet sobre Veias abertas:


Para o escritor amazonense Milton Hatoum a obra do jornalista e contista uruguaio “deveria ser trabalhada nos cursos de jornalismo”.


Nascido no Uruguai, Eduardo Germán María Hughes Galeano, foi jornalista e outras profissões mais. Segundo a sinopse da Wikipédia:


No livro, de 1971, Galeano analisa a história da América Latina desde o período da colonização europeia até a Idade Contemporânea, argumentando contra a exploração econômica e a dominação política do continente, primeiramente pelos europeus e seus descendentes e, mais tarde, pelos Estados Unidos. A exploração do continente foi acompanhada de constante derramamento de sangue indígena. Devido à exposição de eventos de grande impacto para o conhecimento da história do continente, o livro foi banido na Argentina, Brasil, Chile e Uruguai durante as ditaduras militares destes países.


E como diz a edição da LPM que tenho, Veias abertas da América Latina é "um livro (infelizmente) atual". Foi o que escreveu Galeano no prefácio escrito em agosto de 2010. A obra foi escrita em 1970 (1ª edição) e em 1977 ganhou uma atualização.