domingo, 24 de junho de 2012

Movimento sindical e comunicação

Tenho tido pouco tempo para alimentar meu blog. Como estou participando da greve dos Institutos Federais de Educação, a minha dedicação a estudar e a escrever anda dispersa. Confesso.

Na noite passada saí para dançar e ouvi uma música que há muito não ouvia, do Biquini Cavadão:

Os que me conhecem há mais tempo sabem que sempre fico do lado das ditas “minorias” e agora participo em outra instância, sou do movimento sindical - e aqui em baixo as leis também nos são diferentes, necessitando reivindicar para sermos ouvidos. Mesmo porque, no meu caso concordo com I. F. Stone, “não é possível ser jornalista sem se entender a sociedade”.

Vivemos a maior greve de professores do ensino superior dos últimos tempos. O Andes que os representa parou no último dia 17 de maio. A Fasubra dos técnicos das universidades federais parou em 11 de junho e o Sinasefe dos institutos federais dois dias depois.

Para dar visibilidade à paralisação e às dificuldades enfrentadas no campo da educação, muito se utiliza de técnicas comunicativas. Na seção sindical de Porto Velho, por exemplo, existe blog, facebook e twitter, além de panfletagem, uso de e-mails e os eventuais contatos com a imprensa local. Tudo para manter sociedade, servidores e alunos informados, contribuindo para pressionar o governo a atender as demandas das entidades nas mesas de negociação.

Disso, voltei no tempo e fiquei pensando na época quando os trabalhadores tinham pouco acesso aos meios de comunicação mais massivos. O Estado de Rondônia vive o ano do centenário da EFMM (Estrada de Ferro Madeira-Mamoré), em que mais de 22 mil trabalhadores vieram para esta região amazônica construir os trilhos da “ferrovia do diabo”. Em números oficiais mais de 1,5 mil trabalhadores morreram em função de doenças tropicais e condições de trabalho (mas na contagem que leva em consideração do trajeto ao retorno deles, a conta passa de seis mil pessoas mortas).

Outro nome que leva a EFMM é Estrada dos Trilhos de Ouro, pois cada dormente representa uma vida. No Cemitério da Candelária, onde muitos foram enterrados, há uma frase de Fernando Pessoa:

“O esforço é grande
O homem é pequeno
A alma é divina e
A obra imperfeita”

É por estes e outros acontecimentos que acredito na luta da classe trabalhadora, devendo se utilizar sim das armas da comunicação, de nunca desistir de buscar dignidade e melhores condições de trabalho, seja em que setor for, afinal, tudo vale a pena se a alma não for pequena!

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