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sábado, 5 de julho de 2014

Assessoria aqui e em Portugal

 “Os assessores tornaram-se efetivo ponto de apoio de repórteres e editores (como um tipo de extensão das redações) ao agirem como intermediários qualificados, estabelecendo aproximação eficiente entre fontes de informação e imprensa. De um lado, auxiliaram os jornalistas, ao fornecer informações confiáveis e facilitar o acesso. Do outro, orientaram fontes na compreensão sobre as características da imprensa, as necessidades e vantagens de um relacionamento transparente. O salto de qualidade ocorre particularmente pela presença de profissionais com experiência em redações e disposição de estimular o diálogo”.
Jorge Duarte

Minhas últimas postagens foram sobre assessoria de imprensa. Nesta, para complementar o assunto, trarei uma comparação com Portugal. O tema me interessou ao ler o capítulo “Assessoria de Imprensa na Europa”, de Ana Viale Murtinho e Jorge Pedro de Sousa, no livro “Assessoria de imprensa e relacionamento com a mídia” (organizado por Jorge Duarte,  4ª edição, 2011). Nele se mostra a diferença existente entre as duas regiões, enquanto nos países europeus a atividade é entendida como um campo de atuação dos relações públicas, aqui é exercida por jornalistas, na maioria das vezes.

Um assessor é considerado um profissional de relações públicas, uma vez que gere as relações de uma entidade com a imprensa e elabora publicações empresariais, entre outras tarefas da assessoria.
A lei portuguesa, por seu turno, reforça a distinção entre jornalismo e jornalistas, por um lado, e assessoria de imprensa, por outro.
(...)
Em Portugal, os jornalistas não podem, assim, exercer ao mesmo tempo a assessoria de imprensa, em razão do conflito de interesses que pode emergir dessa situação.

Os autores mostram que para exercer a função em alguma assessoria, os jornalistas devem suspender temporária ou definitivamente o exercício da profissão, inclusive devolvendo as Carteiras Profissionais aos órgãos de controle para evitar a incompatibilidade de atuação.

Busquei na internet  mais informações e encontrei um trabalho interessante de  Marcela Ribeiro: Assessor de Imprensa e seu Relacionamento com a Mídia, em que a autora traça um “Retrato Comparativo desta Profissão entre Brasil e Portugal e sua relação com a Mídia”. De acordo com o trabalho, há uma grande diferença dos profissionais aptos a desenvolverem a profissão de Assessor de Imprensa entre os dois países.

O Brasil é o único país do mundo onde a profissão de assessor de imprensa está enquadrada dentro de uma das funções exercidas pelos jornalistas, segundo os decretos 972/69 e 83.284/79,que regulamentam a profissão de jornalista. Já em Portugal, como em qualquer outra parte do mundo, a profissão está enquadrada dentro das funções exercidas pelo profissional de Relações Públicas. No Brasil um jornalista pode exercer as duas funções desde que atue com rigor ético. Ou seja, não beneficiando seu assessorado dentro da empresa jornalística para qual atua. Em Portugal o jornalista também pode exercer a função de assessor de imprensa, mas deve cancelar sua licença de jornalista, a qual será liberada quando voltar ao cargo.

Marcela Ribeiro mostra que de acordo com o Estatuto do Jornalista de Portugal, “a profissão de jornalista é incompatível com as funções remuneradas de marketing, relações públicas, assessoria de imprensa e consultoria em comunicação ou imagem, bem como de orientação e execução de estratégias comerciais”.

Considerei muito pertinente registrar essa diferença na profissão exercida aqui no Brasil quando comparada com outras nacionalidades porque isso, de alguma forma, nos faz parar e refletir nossa ética, nossa atuação do dia a dia.



História – Já que estamos falando de Portugal, por que não ver um pouco do histórico da profissão e conhecer o “pai das Relações Públicas em Portugal”: Avellar Soeiro. Em 1960, segundo estudo de Marcela Ribeiro, foi “criado o primeiro cargo de Relações Públicas, assumido por Avellar Soeiro, pioneiro da profissão em Portugal. O Laboratório Nacional de Engenharia Civil foi o primeiro organismo da Administração Pública a perceber a necessidade de um profissional para tratar das relações exteriores”. Mas o primeiro contato de Soeiro com as Relações Públicas ocorreu nos anos 40, quando trabalhava como em uma importante companhia britânica de telecomunicações internacionais e entre as mensagens que transmitia ou recebia, apareceu a sigla P.R.O. (Public Relations Officer ), que anos depois veio a exercer.

Encerro com uma dica de livros do professor Wilson da Costa Bueno, disponível no site da COMTEXTO Comunicação Empresarial.

domingo, 22 de junho de 2014

Relendo o livro de Assessoria de Imprensa


Estou animada (confesso que não andava assim não para os estudos) e resolvi reler o livro “Assessoria de Imprensa e Relacionamento com a Mídia – Teoria e Técnica”, organizado por Jorge Duarte. Em especial, porque o exemplar é uma quarta edição (2011), portanto há novidades acrescentadas e revistas do livro que li há algum tempo.

Estou ainda no capítulo da história e caracterização, escrito por Manuel Carlos Chaparro (Cem Anos de Assessoria de Imprensa). Como não é possível falar da atividade sem citar o americano Ivy Lee, procurei algumas questões que exploraram a experiência dele no início do século passado. Enfatizando que Chaparro lembra ainda a proposta de Jean Chaumely e Denis Huisman, no livro As relações Públicas de 1964, de incluir nomes como Homero, Xenofonte, Sócrates, Virgílio e Luís XIV como pensadores mais “antigos” das relações públicas.

Começo pela questão para jornalista das Forças Aéreas, em 2010 (CIAAR – EAOT):
Preencha as lacunas abaixo e, em seguida, assinale a alternativa correta. A comunicação empresarial teve origem no ano de _________ , pelo jornalista ______________ que estabeleceu o primeiro escritório de _____________________ em __________________.
a) 1906 / Ivy Lee / Relações Públicas / Nova Iorque
b) 1875 / Mark Twain / Assessoria de Imprensa / Nova Iorque
c) 1918 / Thomas Lawson / Relações Públicas / Chicago
d) 1915 / Ivy Lee / Assessoria de Imprensa / Paris
Só pela leitura inicial do texto de Chaparro temos a resposta em mãos: letra A.

Avaliando a questão da TRANSPETRO, abaixo, veremos que é uma afirmação correta:
O press-release, criado por Ivy Lee, o 'pai' da relações públicas e da assessoria de imprensa, é ainda hoje uma das principais estratégias para "liberar" informações para imprensa. Para que sua ação seja eficiente, ele não deve: ser redigido em pelo menos três páginas, fornecendo toda as informações de interesse da empresa, priorizando o uso do vocábulo técnico.

Já a FGV (2010 - CAERN – Jornalista) fez a seguinte questão:
A assessoria de imprensa, função criada pelo jornalista americano Ivy Lee em 1906 para transformar a imagem de John Rockfeller, integra a gestão de Comunicação e convive hoje com ampla abordagem midiática. Qual das ações descritas abaixo NÃO pertence ao escopo divulgado das atividades que caracterizam a ação profissional de um bom assessor?
a) Detectar o que numa organização é de interesse público e o que pode ser aproveitado como material jornalístico, com o objetivo de tornar seus assessorados fonte de informação respeitada e requisitada.
 b) Colaborar para a compreensão da sociedade a respeito do papel da organização e criar situações para gerar cobertura sobre as atividades do assessorado: alcançar e manter - e, em alguns casos, recuperar - uma boa imagem junto à opinião pública.
c) Revisar as matérias produzidas pela imprensa junto ao assessorado antes de sua publicação para garantir a qualidade da mensagem a ser divulgada para o público.
d) Estabelecer uma imagem comprometida com os seus públicos: apresentar e consolidar informações pertinentes aos interesses do assessorado no contexto da mídia local, nacional e internacional.
e) Implementar a cultura de comunicação midiática interna e externa por meio de condutas proativas, capacitando o assessorado a entender e lidar com o jornalismo em suas diversas plataformas.
Resposta: C

Também considerei interessante à alternativa lançada pela FUNIVERSA, concurso de 2010 para o MPE-GO, na prova do pessoal de Relações Públicas:
Assinale a alternativa que apresenta o principal fator que motivou a origem da atividade de relações públicas, cujo precursor foi o jornalista Ivy Lee, nos Estados Unidos do início do século XX, e que hoje se repete frequentemente.
 a) Falta de planejamento da comunicação nas organizações.
 b) Desconhecimento das ações sociais desenvolvidas pelas empresas por parte da opinião pública.
 c) Incipiência das campanhas publicitárias.
 d) Necessidade das empresas de se relacionarem de forma direta com seus públicos-alvo.
 e) Denúncias contra más práticas de gestão empresarial, por parte da imprensa.
Resposta: E

A seguir, duas questões do CESPE, para certo e errado:
As relações públicas, cujo surgimento confunde-se com o da assessoria de imprensa, foram desenvolvidas com base no trabalho de Ivy Lee — considerado o fundador das relações públicas —, que substituiu as matérias pagas pelo que se denomina, atualmente, de mídia espontânea.
Certo?       Errado?
Pelos serviços prestados ao empresário Ivy Lee, em 1906, Rockefeller é considerado pioneiro das atividades de assessoria de imprensa.
Certo?       Errado?

Na primeira afirmativa, válida para o SERPRO (2013), há uma assertiva correta.  E na segunda, do concurso da UNIPAMPA (2009) o CESPE  troca as informações na tentativa de nos confundir, sendo portando errada a ideia de que o empresário era Ivy Lee e o atendimento era feito por Rockefeller.
   

Esta questão da ESAF (2009 - ANA -  Jornalismo) acabei de errar, pois apenas a primeira alternativa estava correta. Confira:

Sobre a história da assessoria de imprensa, avalie os itens abaixo e marque a opção correta.
( ) Ivy Lee trabalhou na imprensa americana antes de atuar na intermediação do relacionamento entre imprensa e empresários. Ele tornou-se uma referência mundial em assessoria de imprensa e chega a ser apontado como o pai das relações públicas. Isto não é estranho, já que relacionamento com a imprensa é considerado por muitos autores como atividade de relações públicas.
( ) A prática de assessoria de imprensa no Brasil teve grande impulso durante o regime militar. A censura política fez com que o noticiário econômico e empresarial tivesse ampliado o espaço no noticiário, potencializando o interesse das organizações em dialogar com a sociedade.
( ) A oficialização das práticas de relacionamento com a imprensa na área pública no Brasil surge no governo Nilo Peçanha, com a criação de um serviço de prestação de informações no gabinete do Presidente.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Comunicação integrada



Comecei a ler a apostila de comunicação integrada, me preparando para a aula do fim de semana com a mestre Lucelma Cordeiro. Vamos a algumas anotações!

Independente da natureza da organização há a necessidade de se comunicarem com seus diversos públicos. Sendo organização uma expressão que significa agrupamento planejado de pessoas que desempenham funções e trabalham conjuntamente para atingir objetivos comuns. Estando ligada nesta matéria ao planejamento estratégico.

É necessário trabalhar de forma integrada: segundo Margarida Kunsch a comunicação integrada é uma atuação conjunta dos profissionais da área de comunicação, é uma interação das atividades de áreas afins. Portanto, pressupõe a junção das comunicações: interna, institucional e de marketing. Sendo que  soma de todas as atividades redundará: Na eficácia da comunicação nas organizações; Coerência da linguagem adotada; Realização das tarefas de comunicação em equipes multifuncionais desde a sua concepção; Melhoria dos serviços; e Aumento do lucro e produtividade da empresa.

A partir da falta de um planejamento comum, os departamentos ou assessorias competem entre si, definindo instâncias particulares de decisão dentro das empresas ou entidades. Atualmente vivemos numa época de transformações rápidas, onde todas as organizações procuram meios para se manterem “vivas” no mercado. Ter de fato uma comunicação organizacional integrada é fator imprescindível para comunicar-se de modo amplo, falando a mesma mensagem para diversos públicos de interesse.

- A Comunicação Institucional é uma área da Comunicação que implica em conhecer as instituições e compartilhar suas propriedades (histórico, visão, missões, valores, filosofia e políticas). O objetivo da comunicação institucional vai além da visibilidade, ela visa o alcance da credibilidade.

- A comunicação mercadológica é aquela que contempla as ações desenvolvidas por uma empresa ou entidade no sentido de reforçar a imagem das suas marcas, produtos e serviços, colocando-as favoravelmente no mercado e , evidentemente, aumentando as suas vendas e, por extensão, a sua receita.

- Comunicação Interna é o esforço de comunicação desenvolvido por uma empresa, órgão ou entidade para estabelecer canais que possibilitem o relacionamento, ágil e transparente, da direção com o público interno (na verdade, sabe-se que há vários públicos internos em uma organização) e entre os próprios elementos que integram este público.

- A comunicação administrativa/operacional trata da fluência dos processos e procedimentos incluindo as rotinas, normas e regulamentos da empresa, que devem estar documentadas e ser de amplo conhecimento de todo o corpo funcional da organização.

Segundo a apostila, são instrumentos da comunicação integrada: a Comunicação Institucional (Relações Públicas, Jornalismo empresarial, Assessoria de imprensa, Editoração multimídia, Imagem corporativa, Propaganda institucional, Marketing Social e Cultural), a Comunicação Mercadológica (Marketing, Propaganda, Promoção de vendas, Feiras e exposições, Marketing direto, Merchandising e Venda pessoal) e a Comunicação Interna e Administrativa (Fluxos, Redes formal e informal e Veículos).

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Assessoria x Crise


Há uma máxima em que diz: em tempo de CRISE = CRIE.

Quem trabalha em assessoria de imprensa sabe o quanto é importante estar preparado para enfrentar os problemas quando estes se tornam públicos. Vamos a algumas anotações que tenho há algum tempo sobre a forma de atendimento à imprensa durante esse período mais crítico para a organização:


  • Não fuja de atender à imprensa. Melhor, antecipe-se em descobrir o que ocorreu.
  • Faça um completo levantamento da situação, preparando-se com informações atualizadas, dados e números.
  • Evite palavras alarmistas ou negativas, para não ampliar o efeito negativo da ocorrência com suas palavras.
  • Pode ser preparado um texto informativo oficial, descrevendo o fato ocorrido e enfatizando as providências da empresa para solucionar o problema.

Agora, que mais uma vez debatemos o tema crise (que diga-se de passagem é o nome da matéria que tive no fim de semana na pós em Jornalismo Empresarial), vamos a duas afirmativas que caíram em concursos e que também nos ajudam a fixar o ensinamento de hoje:

"No relacionamento com a imprensa, o assessor deve avaliar jornalisticamente todos os acontecimentos que envolvem o órgão ou pessoa assessorada."



"Em momentos de crise de imagem da organização, o assessor de imprensa exerce uma importante atuação de interlocutor com a mídia e colabora para amenizar os efeitos dessa crise. Nessas situações, é correto redigir comunicados com dados verdadeiros. A organização pode não informar determinados fatos se, por algum motivo, considerá-los estratégicos, mas isso só será aceitável se a omissão dessas informações não contrariar o esclarecimento sobre fatos em atenção à segurança das pessoas."

sábado, 12 de maio de 2012

Jornalismo e Assessoria

Falando sobre o trabalho do jornalista, Jorge Duarte explica em Assessoria de Imprensa e Relacionamento com a Mídia que

“No Brasil, é profissionalmente aceito trabalhar ao mesmo tempo em veículo de comunicação e assessoria”.

Ser assessor é trabalhar no nível da fonte. O problema ético seria

“Quando o jornalista recebe sem trabalhar em um órgão público ou quando atua em uma editoria que possa ter relação com o emprego de assessor”.

Sobre ser um jornalista que assume em geral tenha assumido as assessorias de imprensa, ao contrário da Europa que é definido como função do profissional de Relações Públicas, valendo-se de Romeiro/1987, Duarte mostra que

“A ocupação do providencial mercado de trabalho, mais do que aceita, foi até estimulada pelas redações no momento em que faziam críticas à competência dos relações-públicas para exercer a função.”

Atualmente, Duarte diz que as organizações brasileiras

“Têm grande necessidade de uma prática comunicativa abrangente ancorada na visão de negócio e não importa qual a origem profissional, desde que tenha capacidade de administrar ampla diversidade de produtos e processos de busca de resultados específicos”.

Nisso, diz que

“Apesar da penetração neste mercado e da ajuda que o jornalista pode prestar à organização, o profissional que teoricamente possui o melhor currículo universitário para administrar a comunicação  da empresa é o relações-públicas”.

Já “uma redação jornalística não tem monopólio da ética ou da competência”, defende o autor, pois uma “assessoria de imprensa pode, em muitos casos, ter uma vantagem, afinal, produz informação com determinado enquadramento, assumidamente posicionada, mas, necessariamente, verdadeira, e que será submetida aos filtros jornalísticos, até mesmo de questionamento e confrontação com outras fontes”.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

O público que se dane

A frase “the public be damned” é atribuída ao empresário norte-americano William Henry Vanderbildt como resposta a jornalistas. Hoje a regra geral é que o público passou a ser muitas vezes central, sendo importante atender à imprensa, pois a opinião pública merece respeito.

Nesta atividade de assessoria de imprensa ou de relações públicas é que trabalho atualmente. Interessa-me sempre estudar e estar atualizada sobre o tema. Com isso, aceitei a dica de uma amiga jornalista de ler a “bíblia” da área, como bem frisou ela, o livro organizado por Jorge Duarte – Assessoria de Imprensa e Relacionamento com a Mídia. Peguei emprestado com o Ernani Baracho, companheiro de trabalho, a quem agradeço (vou te devolver, tá!?!). “A boa atuação de uma assessoria aumenta a visibilidade pública da organização e pode trazer efeitos mercadológicos e políticos predeterminados”, esclarece Duarte.

De acordo com Manuel Carlos Chaparro, “o jornalismo tornou-se, pois, espaço de socialização de discursos particulares, para os confrontos da atualidade, em todos os campos da atividade humana organizados sob a lógica da competição”.

É neste contexto que atuamos hoje, mais de cem anos depois da criação da atividade por Ive Lee, ou seja, nos mantemos ligados ao princípio de que devemos divulgar “informações corretas, de interesse e importância para o público, sobre empresas, evitando assim denúncias”. Eu até complementaria que nossa atuação não evita as denúncias, mas oferece respostas a elas e mostra quais providências estão sendo tomadas pela administração para contorná-las.

Nosso trabalho é com a verdade dos fatos, gosto sempre de recordar essa parte da carta de princípios divulgada por Lee, “este não é um serviço de imprensa secreto”.

Afinal, a informação deve conter um valor público. E isso é tão apropriado ao trabalho de qualquer jornalista, que um levantamento feito pelo Sindicato em 1985 mostra que um terço dos profissionais atuava com carteira assinada fora das redações, o que não deve ser diferente nos dias atuais.

Para Cintia da Silva Carvalho, em “Relações Públicas - História, Teorias e Estratégias nas Organizações Contemporâneas”, explica que “qualquer processo de tomada de decisão que envolva relacionamentos interpessoal, grupos de influência que tratam de interesses da comunidade, responde pela iminência de situações conflitantes. Existem conflitos e crises porque há diferenças em vários níveis. O desafio é encontrar os mecanismos que facilitem resolvê-los democrática, e não autoritariamente.”  

Encerro com Luiz Amaral, que cita o historiador Eric Goldmam no livro Assessoria de Imprensa e Relacionamento com a Mídia, mostrando a evolução da sociedade a partir do trabalho de relações públicas, a atitude passou de “o público que se dane” ou “o público que seja enganado” (passagem do século XIX) para “que o público seja informado” (na virada do século) e para “o público seja compreendido” (no pós-guerra).

domingo, 11 de março de 2012

Público-alvo e stakeholder

Estou tentando criar ânimo para escrever um projeto. Um projeto de pesquisa. Nesta primeira fase estou delimitando meu objeto de estudo, por isso estava lendo o livro “Relações Públicas - História, teorias e estratégias nas organizações contemporâneas” (Organizado por Margarida M. Krohling Kunsch, Editora Saraiva, 2009). Bom, como preciso definir o público-alvo da minha pesquisa (apesar de não gostar deste termo, porque para mim o alvo é para ser abatido), vamos ao tema de hoje.

A certa altura do livro, Fábio França traz alguns conceitos de público e explica o termo stakeholder, que considerei importante trazer para este meu espaço público de compartilhamento de ideias. Afinal, é um termo que diz respeito a um “grupo que tem interesse ou um impacto potencial na empresa”, conforme Kotler, em que podem ser citados os clientes, funcionários, acionistas, imprensa etc.

“Termo idiomático inglês que define todas as pessoas que possuem interesse em relação às empresas ou organizações: shareholders (acionistas), o governo, os consumidores e os grupos ativistas de consumidores, funcionários, as comunidades representativas e a mídia”. (Archie B. Carroll)

“As pessoas são stakeholders porque se situam em uma categoria afetada pelas decisões de uma organização ou porque suas decisões afetam a organização”. (Hunt e Grunig).

Stakeholders são pessoas ou grupos que estão lincados (linked, mais do que apenas ligados) a uma organização porque entre as duas partes há interesses recíprocos. Quem tem um link com uma organização tem um stake com ela, faz uma aposta nela, o que se pode entender como uma quota nela aplicada”. (Kunsch)

Assim, conforme Fábio França, devemos sempre lembrar que os stakeholders incluem todos aqueles indivíduos ou grupos que possuem legitimidade e/ou poder em relação a uma organização.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

A função de Relações Públicas


Uma profissional da área de relações públicas me dizia que trabalhar com cerimonial de eventos é muito parecido com o jornalismo. Explico: o texto teria que responder as perguntas do lead (quem, o que, quando, onde, como e por quê?).

Lembrando disso e na formação dessa minha interlocutora, fui buscar a definição do que é a profissão de Relações Públicas. Afinal, sempre quando pensamos em eventos, pensamos em RPs.

Segundo o Sindicato dos Profissionais Liberais de Relações Públicas no Estado de São Paulo “é uma função administrativa que avalia as atitudes públicas, identifica as diretrizes e a conduta individual ou da organização na busca do interesse público, e planeja e executa um programa de ação para conquistar a compreensão e a aceitação públicas”.

Como estou procurando bases de uma atuação integrada, fui conhecer outras assessorias de comunicação. Nisso, a uma amiga me enviou o seguinte e-mail com a descrição do cargo de assessor de relações públicas, que ela deve ter buscado no endereço :

Objetivo:
- Otimizar o processo decisório organizacional nas políticas e atividades de Relações Públicas.
- Estabelecer a integração os grupos que afetam os objetivos da organização.

Funções:
Pesquisa, Planejamento, Assessoramento, Execução, Coordenação e
Avaliação.

Tarefas:
Ø Em Pesquisa:
- Realiza e/ou manda realizar por empresas especializadas em sondagem de opinião, pesquisas de opinião e atitudes sobre a imagem, o conceito e a credibilidade da organização;
- Coleta informações através da imprensa escrita, falada e televisionada – gerenciamento de crise;
- Identifica e caracteriza os públicos (grupos que afetam os objetivos da empresa);
- Realiza pesquisa de leitura e leiturabilidade;
- Realiza pesquisa de hemerografia;
- Coleta sugestões solicitações e queixas;
- Analisa e interpreta os dados das pesquisas;
- Experimenta novos métodos e técnicas de Relações Públicas.

Ø Em Planejamento:
- Elabora o planejamento de Relações Públicas, constituído de objetivos, estratégia, tarefas, cronogramas e orçamento;
- Elabora programas de Relações Públicas;
- Seleciona métodos e técnicas de Relações Públicas.

Ø Em Assessoria:
- Fornece pareceres, apresenta alternativas e recomenda atividades à decisão da Direção sobre: estratégia e políticas de Relações Públicas; políticas de propaganda institucional; política de mecenato (doações), motivação dos recursos humanos e política de responsabilidade social;
- Assiste à Direção e qualquer elemento de organização em todas as oportunidades de representação da empresa.

Ø Em Execução:
- Cria, redige, produz e distribui informações específicas do seu setor/empresa para públicos específicos;
- Organiza e realiza atos culturais, como, congressos, conferências, seminários, encontros, etc.;
- Organiza e realiza atos sociais como, aniversários, jantares, coquetéis;
- Organiza e realiza eventos especiais, como, inaugurações, comemorações, visitas, open-house, viagens;
- Dirige o cerimonial;
- Redige discursos, mensagens etc;
- Visita líderes de opinião;
- Representa a empresa em atos públicos;
- Supervisiona o arquivo de públicos, de imprensa, fotográfico, clichês, fotolitos, discos, documentação etc;
- Emite e responde correspondência.

Ainda de acordo com o Sindicato dos Profissionais Liberais de Relações Públicas no Estado de São Paulo, “o profissional de Relações Públicas, pela lei brasileira, precisa ser formado em curso superior, ter registro no Conselho da categoria e pode exercer sua atividade como profissional liberal, assalariado ou de magistério nas entidades de direito público ou privado, tendo por fim o estudo ou aplicação de técnicas de política social destinada à intercomunicação de indivíduos, instituições ou coletividades”.

Em nossa área de atuação - e não estou falando como jornalista, mas como comunicadora - planejamento é tudo.


Agora para mim o desafio está lançado. Conhecer como cada um atua, para depois partir para o mais importante - como colocar em prática a comunicação integrada (jornalismo, publicidade, relações públicas, marketing, administração)?