terça-feira, 29 de outubro de 2013

O jornalismo e as fontes

Faz uns dias que não trago novas informações para o blog. Tenho estudado uma variedade de assuntos, envolvendo comunicação e outros temas. Mas hoje resolvi voltar a escrever sobre provas de concurso, porque notei a necessidade de estudar sempre!

Para tanto, recorri à classificação das fontes, as “news promoters” (conforme Molotch e Lester/1974 ao conceituar as fontes como “promotores de notícias”). Afinal, o jornalista necessita manter suas fontes de informação, mas há uma questão ética sobre envolvimento e até graus de confiabilidade. E as classificações podem mudar de jornalista para jornalista, ou entre empresas, afinal, também se trata de relacionamento humano e social, sendo subjetiva e flexível conforme o contexto.

Para a Folha Online, existem quatro diferentes tipos de fontes, das quais ela recomenda a tomada de procedimentos diferentes antes da preparação do texto final.

A primeira é a fonte tipo zero, ou seja, “escrita e com tradição de exatidão, ou gravada sem deixar margem a dúvida: enciclopédias renomadas, documentos emitidos por instituição com credibilidade, videoteipes”. Estas não precisariam ser cruzadas com outras fontes para testar sua veracidade, mas por outro lado, o jornal desaconselha consultar apenas “um periódico do tipo jornal ou revista como única fonte para uma informação”.

Em seguida vem a fonte tipo um, que seria a mais confiável quando se refere a fontes humanas. “A fonte de tipo um tem histórico de confiabilidade - as informações que passa sempre se mostram corretas. Fala com conhecimento de causa, está muito próxima do fato que relata e não tem interesses imediatos na sua divulgação”. Aqui há uma recomendação interessante: “Embora o cruzamento de informação seja sempre recomendável, a Folha admite que informações vindas de uma fonte tipo um sejam publicadas sem checagem com outra fonte”.

Outra seria a fonte tipo dois, que possui “todos os atributos da fonte tipo um, menos o histórico de confiabilidade. Toda informação de fonte dois deve ser cruzada com pelo menos mais uma fonte (do tipo um ou dois), antes de publicada”.

E, por fim, a última é a fonte tipo três. Como consequência, esta detém a menor confiabilidade. “É bem-informada, mas tem interesses (políticos, econômicos etc.) que tornam suas informações nitidamente menos confiáveis”. Por assim ser, a Folha Online explica que devem ser tomados “dois caminhos para a informação de fonte tipo três: funcionar como simples ponto de partida para o trabalho jornalístico ou, na impossibilidade de cruzamento com outras fontes, ser publicada em coluna de bastidores, com a indicação explícita de que ainda se trata de rumor, informação não-confirmada”.

Já outro jornalista e escritor que gosto, Nilson Lage, utilizou a seguinte classificação: oficiais (instituições que preservam algum poder de Estado); oficiosas (as que não estão autorizadas a falar em nome de uma organização ou personalidade), independentes (as organizações não governamentais),  primárias ou secundárias (na perspectiva da sua relação direta e indireta com os fatos, respectivamente), testemunhas (quem presencia os fatos) e experts (especialistas em determinados assuntos e que interpretam os eventos).

Para mais informações sobre fontes de notícias, veja o estudo de Aldo Antonio Schmitz (UFSC).

Agora, fechando este post, vamos a uma questão de concurso sobre o tema:

IFCE - 2009 A fonte de qualquer informação nada mais é do que a subjetiva interpretação de um fato, segundo Felipe Pena. Para tanto, podemos selecionar:
A)Fontes oficiosas que são sempre as mais tendenciosas.
B)Fontes oficiais, mesmo que não estejam autorizadas a falar pela instituição.
C)Fontes independentes e oficiosas que sempre estão mais próximas da verdade.
D)Fontes independentes que são aquelas que não têm vínculo direto com o assunto.
E)Fontes oficiais que nos revelam informações em off, que sempre são as notícias mais fortes.

Gabarito: D

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Crônica e Jornalismo

Hoje fui procurar mais informações sobre a crônica jornalística e encontrei esse belo documentário. Compartilho em meu blog por considerar de extrema importância a divulgação e conhecimento do conteúdo!

Documentário: Machado de Assis - A Crônica e a História (Bloco 1/4)

Documentário: Machado de Assis - A Crônica e a História (Bloco 2/4)

 Documentário: Machado de Assis - A Crônica e a História (Bloco 3/4)

Documentário: Machado de Assis - A Crônica e a História (Bloco 4/4)

domingo, 15 de setembro de 2013

Pichações e metáforas da letra

Tenho lido algumas obras tentando compreender o processo de análise de discurso. E não pude passar uma leitura que acabo de fazer, vamos á reflexão:

Interessante a análise feita por um dos estudos de Eni Orlandi (2012) sobre sociedade, democracia, casa, rua, sujeito... em que a escritura urbana - uma metáfora da letra -, o grafismo da pichação é um “eu sou”, “eu existo”, “eu estou aqui”. Nisso, esse sujeito não se submete ao certo/errado ao qual foi segregado, ocupando um espaço (muro, parede) de duas faces: em que o dentro é o “privado” e o fora é o “público”.

Do lado das “autoridades”, Orlandi faz uma comparação com uma campanha publicitária realizada pela Prefeitura de Campinas: “O que eles chamam de diversão, nós chamamos de vandalismo, o que eles chamam aventura, nós chamamos depredação, o que eles chamam arte, nós chamamos infração, o que eles chamam liberdade de expressão, nós chamamos poluição. Vamos virar essa página”.

Por que há “eles” e não “vocês”? É o que reflete a autora sobre a escolha governamental:

“Aí, pelo menos a prefeitura estaria reconhecendo esse outro como parte da sociedade e estaria conversando com ele, reconhecendo-o como um interlocutor com quem deveria dialogar, e não falando deles com esta distância. Isto é segregação. E ao dizer que é infração o que ‘eles’ chamam de arte, estão criminalizando o seu processo de simbolização. Estigmatizando sua invenção. E é assim que acabam empurrando grande parte da nossa juventude para a criminalidade. Produzindo esta imagem estigmatizada, de delinquência, ao invés de acolher, desenvolver essa capacidade de expressão e deixá-la significar no interior da sociedade”.

Boa reflexão para nós também no dia a dia!!!

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Comunicação e consumo

Puxa, faz uns dias que não me dedico a escrever para meu blog! São os cursos, a correria do dia a dia, o estudo. Por isso, resolvi partilhar uma capacitação que estou fazendo agora, na seção que envolve comunicação e direito do consumidor. Mais especificamente, entra em questão a publicidade.

Aproveito para lembrar que o termo publicidade está mais ligado ao comércio, enquanto a propaganda serve a fins mais ideais (humanitários e outras causas sociais). Só para nos situar historicamente, a publicidade se firma mesmo após a revolução industrial e a produção de massa. No Brasil, iremos encontrar a divulgação comercial a partir do século XIX, e os produtos da época eram imóveis, carroças, artesanato, serviços de profissionais liberais e, pasmem, de venda de homens e mulheres escravizados. Veiculados em cartazes, folhetos e painéis de São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo.

No curso também aprendemos a separar a publicidade enganosa da publicidade falsa. E o exemplo dado é este vídeo da pela Folha de São Paulo na década de 80, mostrando que é possível uma mensagem publicitária ser enganosa ainda que não possua qualquer elemento de falsidade: “É possível contar um monte de mentiras, dizendo só a verdade...”



Entre os tipos de publicidade enganosa estão os por comissão (ou por ação), em que o “anunciante induz o consumidor em erro fazendo declaração falsa sobre o produto ou serviço”. Um exemplo trazido é o de um consumidor que entrou na justiça contra uma operadora de celular que anunciava sinal de tecnologia TDMA em seu município, o que na época não existia na prática, induzindo à população local ao erro, pois comprou os aparelhos e não pôde usufruir do serviço, o que ocasionou grande frustração nos consumidores.

Já para na publicidade enganosa por omissão, “o anunciante induz o consumidor em erro deixando de informar algo essencial referente ao produto ou serviço”.
Como exemplificação se usou o caso de curso que não confere diploma de conclusão de 2º grau. Para mais informações sobre este curso que estou fazendo, acesse o site do Senado Federal, clicando AQUI.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Jornalismo esportivo

Antes de mais nada, é preciso levar em conta que o jornalismo esportivo deve respeitar os mesmo limites de qualquer área de jornalismo. Conforme ensina Heródoto Barbeiro e Paulo Rodolfo de  Lima no Manual de Radiojornalismo:

“A emoção faz com que o jornalismo esportivo esteja sempre em uma linha tênue entre a pieguice e a razão. Costuma-se dizer que não há boa cobertura esportivas sem emoção, mas o jornalista não pode se deixar levar por ela. O exagero é o passo para a desinformação”.

Os autores também fazem um alerta sobre as formas de cobertura: “As transmissões esportivas seguem o mesmo estilo há 50 anos. O modelo que os jovens narradores usam é arcaico. É preciso encontrar uma nova forma de narração que não caia no ridículo, mas sem deixar de lado a emoção, componente essencial do esporte”.

A dica básica é conhecer as regras dos esportes a serem cobertos e os regulamentos dos campeonatos. “Grandes competições, como jogos olímpicos ou campeonatos mundiais, exigem maior preparação. Além dos jornais, revistas e internet, é conveniente consultar uma bibliografia especializada”.

E já que no próximo ano o Brasil sedia sua segunda Copa Mundial de Futebol (a primeira vez que o Brasil foi sede da Copa foi em 1950, e foi uma cobertura especialmente via rádio...), e em 2016 o Rio de Janeiro recebe as Olimpíadas, porque não ver um pouco mais sobre a história dessas coberturas mundo afora? Vai que a gente também, direta ou indiretamente, nós façamos a cobertura dos torneios, pois nunca sabemos como será o dia de amanhã!

“A transmissão do mundial de futebol, em 1970, foi um marco da história da televisão brasileira. Pela primeira vez os telespectadores puderam assistir aos jogos ao vivo, transmitidos por um pool, de redes brasileiras de TV, entre elas a Globo”. 

A passagem acima está no livro JN: A notícia faz história. Continuando a leitura encontraremos que: “a notícia de que os jogos seriam exibidos ao vivo pela televisão provocou uma corrida às lojas de eletrodomésticos, que venderam milhares de televisores nos meses que antecederam à Copa”.

Isso mais me parece tradição, pois vai dizer que milhares de brasileiros também não estão comprando as novas televisões, TVs digitais como o maior número de polegadas para acompanhar os lances da “seleção canarinho”? (ah, e por falar nisso, o apelido Seleção Canarinho foi criado pelo locutor esportivo Geraldo José de Almeida).

Vale ressaltar ainda que foi na Copa de 70, no México, que o País chegou ao tricampeonato. A equipe global da época era de três profissionais: “as informações eram noticiadas em boletins diários. No JN, era exibido um bloco especial apresentado por Armando Nogueira diretamente da Cidade do México, mostrando os preparativos da Seleção Brasileira para os jogos e os principais destaques da competição”. Agora imaginem quantos profissionais só a Globo terá para cobrir os jogos de 2014?

Para finalizar: “jornalista esportivo não pode arranhar sua credibilidade mandando abraços para quem quer que seja”, é o ensinamento de Juca Kfouri.

#ficaadica

 

domingo, 14 de julho de 2013

Instantaneidade

Outro dia estava pensando em conceitos que deixam de ser verdades absolutas em nossa sociedade. Acompanhando as tarefas escolares de meu filho voltei a ler os termos sociedade patriarcal/matriarcal. Como estabelecer com exatidão qual dos dois modelos os brasileiros seguem hoje, se na verdade o que vemos são famílias chefiadas ora por homens e ora por mulheres. Tanto que até me perguntei, após ler esta informação entre os estudos de interdisciplinaridade: "Atualmente os pesquisadores estão no caminho de uma revolução que poderia permitir a liberação da reprodução sexual, abrindo a possibilidade, para o ser humano, de uma reprodução por cissiparidade: uma equipe de biologistas conseguiu produzir ovócitos a partir de células-tronco de ratos". Não querendo discutir exatamente ética e preconceito, mas realmente é uma nova forma de se ver o genitor, portanto, o mundo como um todo, vive hoje uma sociedade patriarcal ou matriarcal?

Voltando os olhos para a área de comunicação: Em tempos de jornalismo online é ainda rigorosa a separação temporal de veiculação de notícias: diária, semanal, mensal... Para as pesquisadoras Zélia Adghirni e Francilaine de Moraes a relação de temporalidade entre o jornal de papel e o jornal digital a periodicidade e a historicidade são fundamentais:

“Combinados entre si no suporte internet, estes dois paradigmas constituem uma nova forma de temporalidade midiática que é a informação permanente. Ou em ‘tempo real’, como é chamada nos meio profissionais, mas que preferimos chamar de informação em fluxo contínuo porque, matematicamente falando, é impossível transmitir uma informação via internet no exato momento em que o acontecimento se produz”.

Quando comecei no jornalismo, realmente, eram apenas diário, semanários, e por aí afora. Não tinha parado para refletir que a periodicidade mudou muito de lá pra cá!

“Em relação ao mecanismo de periodicidade do suporte papel, a internet representa uma nova configuração do tratamento tempo, ou seja, na internet, a informação é permanente”.

E como é! Se até os leitores hoje produzem informações. E as mídias sociais mostraram há pouco a força que têm. Vamos que vamos!

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Mais sobre teleprompter

Fechei o post sobre o Jornal Nacional falando sobre a pré-história do teleprompter no Brasil. Depois, lendo a “Apuração da Notícia” de Luiz Costa Pereira Junior (Editora Vozes, 2010), encontrei uma passagem interessante sobre o tema:

“A Rede Globo de Televisão abortou em agosto de 1998 um quadro no Fantástico criado pelo videomaker Marcelo Tas. Com nome de Fora do Ar, propunha descortinar os dispositivos  de estruturação das mensagens televisivas. O programa existe hoje apenas em cópias piratas. O programa-piloto tem oito minutos de duração. Seu tema é ‘teleprompter’, o aparelhinho posicionado ao lado da câmera de estúdio, diante de apresentadores e jornalistas, para a leitura de textos. O recurso simula uma situação de improviso controlada – os olhos fixo diante de um texto que desfila à frente, como um cartaz luminoso.
 Tas explorou com humor as aplicações, políticas e cênicas, do truque. Fez, Paulo Maluf, ex-prefeito de São Paulo, recitar Shakespeare, a mulata 'Globeleza' Valéria Valenssa adquirir ar professoral ao falar de globalização, pessoas de rua reproduzirem a performance demagógica de políticos famosos”.

Quer dizer, o teleprompter realmente colabora para parecer que tudo é natural dentro da telinha. Por isso, Luiz Costa reflete sobre esse revelar dos mecanismos de produção da notícia:

“Os veículos boicotam a reflexão sobre sua prática. E o fazem com naturalidade, a de quem está seguro do sistema de trabalho com a informação que adotou. Mas se leitores, telespectadores, internautas ou ouvintes soubessem como reportagens e produtos da mídia são realizados, é de supor que ficaria evidente a fragilidade do modo tradicional de mensagens cotidianas.”
Segundo Marcelo Tas, sobre a rejeição do projeto Fora do Ar pela Globo, “o programa era revelador, mostrava instrumentos que podem ser usados para manipulação, mas não afirmava que eram usados por alguém”.