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quinta-feira, 4 de julho de 2013

Mais sobre teleprompter

Fechei o post sobre o Jornal Nacional falando sobre a pré-história do teleprompter no Brasil. Depois, lendo a “Apuração da Notícia” de Luiz Costa Pereira Junior (Editora Vozes, 2010), encontrei uma passagem interessante sobre o tema:

“A Rede Globo de Televisão abortou em agosto de 1998 um quadro no Fantástico criado pelo videomaker Marcelo Tas. Com nome de Fora do Ar, propunha descortinar os dispositivos  de estruturação das mensagens televisivas. O programa existe hoje apenas em cópias piratas. O programa-piloto tem oito minutos de duração. Seu tema é ‘teleprompter’, o aparelhinho posicionado ao lado da câmera de estúdio, diante de apresentadores e jornalistas, para a leitura de textos. O recurso simula uma situação de improviso controlada – os olhos fixo diante de um texto que desfila à frente, como um cartaz luminoso.
 Tas explorou com humor as aplicações, políticas e cênicas, do truque. Fez, Paulo Maluf, ex-prefeito de São Paulo, recitar Shakespeare, a mulata 'Globeleza' Valéria Valenssa adquirir ar professoral ao falar de globalização, pessoas de rua reproduzirem a performance demagógica de políticos famosos”.

Quer dizer, o teleprompter realmente colabora para parecer que tudo é natural dentro da telinha. Por isso, Luiz Costa reflete sobre esse revelar dos mecanismos de produção da notícia:

“Os veículos boicotam a reflexão sobre sua prática. E o fazem com naturalidade, a de quem está seguro do sistema de trabalho com a informação que adotou. Mas se leitores, telespectadores, internautas ou ouvintes soubessem como reportagens e produtos da mídia são realizados, é de supor que ficaria evidente a fragilidade do modo tradicional de mensagens cotidianas.”
Segundo Marcelo Tas, sobre a rejeição do projeto Fora do Ar pela Globo, “o programa era revelador, mostrava instrumentos que podem ser usados para manipulação, mas não afirmava que eram usados por alguém”.


quinta-feira, 20 de junho de 2013

Histórias do Jornal Nacional

O livro "Jornal nacional: a notícia faz história" da Jorge Zahar Editor (2004) traz um pouco da memória das organizações Globo e do seu principal telejornal. Vinte anos após a TV se instalar no Brasil, em 1º de setembro de 1969, inicia o Jornal Nacional, trazendo uma nova linguagem ao jornalismo brasileiro e sendo transmitido em rede para outros estados.

"Inspirados no modelo americano, profissionais como Armando Nogueira e Alice-Maria souberam tropicalizá-lo, afastando-o do modelo radiofônico a que ainda se apegavam os telejornais de então. No Jornal Nacional, palavra e imagem tiveram desde o início a mesma importância".

Realmente, posso ter um olhar mais crítico em relação à Globo e ao jornalismo em geral, mas não nego que realmente a estrutura do JN e de outros programas da Rede se mantêm à frente dos outros. Há muito investimento na área informativa:

"(...) a realização das primeiras externas eram um desafio de difícil superação, tal o tamanho das câmeras cinematográficas com filmes de película. Hoje, as câmeras pequenas, leves e totalmente digitais, são capazes de captar a imagem em qualquer parte do mundo e transmiti-las já sem necessidade de satélites".

Para quem hoje convive com a facilidade de se filmar até com a ajuda de telefones, talvez tenha dificuldade em imaginar uma época como essa, dos equipamentos valvulares, antes dos eletrônicos:

"No início, as câmeras utilizadas nas reportagens não registravam o som ambiente, ganhando então o apelido de 'mudinhas'. Eram as Bell & Howel e as Bolex, nas quais os cinegrafistas precisavam dar corda para funcionar. Mas logo chegaram as câmeras Auricom, provocando uma revolução. Grande e pesado, o equipamento exigia uma cangalha para ser transportado, mas era sonoro. A Auricom permitiu ao repórter aparecer na matéria durante as reportagens, com o microfone, o que dava maior credibilidade ao noticiário".

Além dessa possibilidade para sonoras e passagens ainda serem restritas, também não havia teleprompter: "nessa época, também não havia fotocopiadoras. Os textos do programa eram todos mimeografados e, como a tinta se soltava do papel, era comum não só apresentador, mas toda a equipe, ficar com mãos, rostos e roupas sujos de azul".

O teleprompter chegou à TV Globo em 1971, "situado logo abaixo da câmera que o projeta, em letreiros, o texto para o locutor. Com o teleprompter, o apresentador lê com mais naturalidade e olha direto para o espectador (reforçando o clima coloquial, a ideia de que o locutor está na sala de casa conversando com quem está assistindo)".

Diferente dos aparelhos de hoje, o teleprompter "em suas primeiras versões, eletromecânico e dependia de um operador para rodar o texto impresso numa bobina". Para complicar, ao serem instalados, esqueceu-se dos espelhos e a imagem que chegava às residências não era tão natural assim: "como o texto era projetado no alto, os olhos de quem estava lendo apareciam brancos para o telespectador".

Imaginem só, abduzidos!!!