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terça-feira, 15 de julho de 2014

Comunicação Pública

Lendo o texto de Amarildo Baesso e Débora Pinheiro: “Comunicação na administração Pública Federal: Práticas e desafios nas assessorias dos ministérios”, voltou à minha cabeça o debate sobre o que é de fato a comunicação pública, uma vez que o artigo defende que “a comunicação pública deve se apresentar como instância a serviço do governo e não do Estado”, sendo que “a comunicação pública pode ser entendida, grosso modo, como uma atividade que envolve informação, formação de opinião e prestação de contas, tendo sempre um caráter de interesse público”.

Ao reduzir a noticia ao interesse privado do assessorado, o assessor perde a ocasião de promover o debate público e de catapultar nele as pessoas que podem representar publicamente interesses que concernem à res publica, ainda que trate-se de interesses privados. Se a informação é um requisito essencial para o exercício da democracia e para a existência do Estado de direito, não seria exagero julgar que, ao confundir interesses privados e públicos, sem ao menos distingui-los, a comunicação pública fracassa e se torna um desserviço à sociedade.

Em debate sobre a conceituação deste tema, o jornalista Jorge Duarte explica que

A comunicação pública ocorre no espaço formado pelos fluxos de informações e de interação entre agentes públicos e atores sociais (governo, Estado e sociedade civil – inclusive partidos, empresas, terceiro setor e cada cidadão individualmente) em temas de interesse público. Ela trata de compartilhamento, negociações, conflitos e acordos na busca do entendimento de interesses referentes a temas de relevância coletiva. A Comunicação Pública ocupa-se da viabilização do direito social coletivo e individual ao diálogo, à informação e expressão. Assim, fazer comunicação pública é assumir a perspectiva cidadã na comunicação envolvendo temas de interesse coletivo.

Percebe-se que a comunicação pública está, portanto, a serviço de todos. Para Elisabeth Brandão: “A comunicação pública […] se instaura na esfera pública entre o Estado, o governo e a sociedade […]. [Propõe-se] a ser um espaço […] de negociação entre os interesses das diversas instâncias de poder constitutivas da vida pública no país”.  

No artigo de Débora Pinheiro, ainda vemos que segundo Kucinski, “assim como temos um direito difuso a um meio ambiente despoluído, temos um direito difuso a um ambiente de comunicação sadio, pluralista, democrático, de acesso amplo, que estimule a participação e garanta o diálogo”. Por estar inserida em divulgação da política pública, Kucinski defende uma política que é “Policy, significando uma ou várias linhas de ação na execução de política pública, e politics, significando, grosso modo, a maneira como a sociedade distribui o poder”.

Logicamente o debate sobre comunicação pública não se encerra aqui. Mas por enquanto, vamos finalizar respondendo a esta questão aplicada pelo CESPE em 2013 (INPI - Analista de Planejamento - Comunicação Social):

Comunicação pública é um conceito com múltiplos significados, mas uma acepção pertinente para as relações públicas é a de comunicação no âmbito da sociedade civil organizada.

RESPOSTA: Certa

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Cobertura, independência, ética e outros temas

Ao ler a afirmação de Jorge Duarte de que “no período pós-democratização, metade dos repórteres credenciados no Congresso fossem identificados como funcionários da Câmara e do Senado”. Na verdade, o jornalista fazia uma comparação entre a ética da atuação dos jornalistas em decorrência da dupla jornada (jornalismo era atividade complementar), realizada especialmente nas décadas de 60 e 70, quando não havia piso salarial para os jornalistas, e no caso das assessorias de imprensa era a “ditadura” do noticia somente o que eu quero. Mas a pergunta que fiquei me fazendo o quanto ainda há de ligação entre jornalistas e possíveis “chefias”, emprego ou renda, em possíveis fontes de suas notícias?

É certo que isso envolve questões éticas. Na prática, já sabemos dividir essa forma de envolvimento? Tendo em vista que está entre os impedimentos da profissão, de acordo com o Código de Ética dos Jornalistas:

Realizar cobertura jornalística para o meio de comunicação em que trabalha sobre organizações públicas, privadas ou não-governamentais, da qual seja assessor, empregado, prestador de serviço ou proprietário, nem utilizar o referido veículo para defender os interesses dessas instituições ou de autoridades a elas relacionadas;

Mas o que pensei mesmo em relacionar com esta postagem foi um estudo que encontrei do Centro de Formação da Câmara dos Deputados. Em monografia apresentada em 2010, Fabyanne Nabofarzan Rodrigues tratou de “A importância da assessoria de imprensa para a representação e qualidade da democracia”. No estudo ela defende que

Um relacionamento saudável, cooperativo e permanente é essencial para a boa imagem do político e contribui de sobremaneira para a consolidação democrática brasileira, instigando o cidadão, a partir do conhecimento adquirido nas mídias, a participar de nosso atual sistema de governo.

Por que considerei esse estudo interessante ao analisar a questão da ligação entre fontes e jornalistas? Porque é na política a maior chuva de reclamações que vejo hoje partindo do povo brasileiro. É aqui que a imprensa deve manter mais o foco de sua atenção, porque no parlamento é que se define muito da nossa vida cotidiana. Lugar em que o jornalista deve focar sua atenção para ser o verdadeiro olho da sociedade no trabalho lá desenvolvido. E o trabalho de Fabyanne trata justamente da prestação de contas à sociedade, na chamada accountability, só que por parte das assessorias.

O levantamento mostrou que dos 513 gabinetes, 441 responderam ao questionário feito em 2010. Dos entrevistados, 71 não tinham profissionais atuando especificamente em assessoria de imprensa/comunicação. Enquanto 345 haviam contratado jornalistas e em 25 gabinetes atuavam outros profissionais na comunicação. Da localização das assessorias: 177 mantinham esse profissional somente em seu estado (sua base eleitoral), 63 possuíam assessorias apenas em Brasília e 103 é que abrigavam dois “escritórios”, um em Brasília e outro no Estado de origem.

Aproximando para a Região Norte, uma das que possuem, ao lado do Nordeste, pior tratamento profissional quando a questão é assessoria de imprensa. No Norte do Brasil, foi verificado que 17% dos deputados federais não possuíam nenhuma estrutura que fizesse a ponte mandato-mídia. Comparando com o Centro-Oeste, de fato, a situação é preocupante. Melhor avaliada, lá se tem 81% com atuação de jornalistas, contra 6% que não destinam nenhuma pessoa para esta tarefa. Tanto, que a pesquisadora chega a afirmar que “através da análise destes dados, podemos perceber que a importância que se dá a assessoria de imprensa tende a estar relacionada com o desenvolvimento das regiões brasileiras”. Por outro lado, as assessorias contribuiriam para auxiliar no diálogo com a mídia e chegar ao cidadão-eleitor, “aumentando a accountability e incentivando a participação cidadã. Conceitos imprescindíveis na relação entre o representante e representado, pois a prestação de contas das atividades desenvolvidas no Congresso pode instigar o conhecimento, gerar debate e fazer com que haja maior fiscalização por parte da sociedade”.

Vejamos os números de forma mais próxima aos rondonienses:

Dos sete entrevistados de Rondônia, cinco deputados têm assessoria de imprensa realizado por jornalistas, um possui assessoria mas não era realizado por um profissional formado em jornalismo e um deputado não possuía o serviço de assessoria de imprensa. E dos seis que mantém a assessoria específica em comunicação, três estão estabelecidos apenas em RO, um somente em Brasília e apenas dois mantém a assessoria em Brasília e em Rondônia.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Aprendendo mais com a internet


Às vezes me parece até uma redundância falar sobre internet, afinal, hoje boa parte da população respira tecnologia. Mas ainda precisamos aprender muito com a rede, especialmente nós, comunicadores em geral.

Vamos a uma questão de concurso, aplicada na prova do IFCE- 2009, que envolve internet e jornalismo empresarial:

A Internet, como plataforma do jornalismo em assessoria de comunicação, tem a aplicação de press releases via e-mail como uma ferramenta importante. Para que isso se configure numa ação eficiente e eficaz é preciso que os press releases:
A) sejam enviados ao maior número possível de destinatários já que não importa em custo operacional maior para a assessoria ou assessorado.
B) sejam enviados até para quem não tem interesse naquela informação, pois assim pode chegar a ser surpresa na redação e interessar a um novo grupo.
C) para serem mais efetivos, sejam enviados para um grupo selecionado de pessoas que têm interesse naquela informação ou assunto.
D) sejam enviados o mais rapidamente possível, sem a preocupação de ter formato padrão, com data, nome e telefone do contato e um lead que destaca o que de mais importante e interessante tem a informação.
E)sejam enviados sempre com a preocupação de promover as qualidades de um produto ou da empresa.

A resposta segundo o gabarito é a letra C. O que vejo como uma segmentação também no mailing list que de fato deveríamos usar no dia a dia. Para completar o tema segmentação, ou melhor, especialização, vamos falar agora sobre mídias sociais.

No curso “Herramientas Digitales Para Periodistas”, com a professora Sandra Crucianelli (http://www.sololocal.info/), vimos esta semana a importância de exercitar a tolerância nas redes sociais de quem tem ideias diferentes das nossas, especialmente quando estamos administrando perfis públicos.

Ela defende que nós mesmos, jornalistas, também somos uma marca importante: nosso nome ou imagem são públicos (especialmente quem trabalha nas redações e aprece todos os dias em tvs, rádios, jornais impressos e sites). Ela nos apresentou alguns princípios para utilizarmos em nossas redes, especialmente na utilização de buscadores e de apoio ao jornalismo cidadão:

1) Princípio de verificação: capaz de verificar a existência real do documento original. Muitas vezes temos uma cópia, o que nem sempre é suficiente. Outras vezes, o documento é antigo e há um contradocumento mais recente, que diminui o valor do que temos. Portanto, temos de ter a certeza de verificar se o documento é verdadeiro, original e válido.
2) Princípio explicativo: Que seja funcional para a pesquisa que fazemos e sirva para dar de respaldo  (para explicar uma hipótese de trabalho na redação).

3) Principio editorial: Que saibamos quem é a fonte que dá origem ao documento, quem o assina, que são responsáveis ​​pelo seu conteúdo.

4) Princípio da durabilidade: Que possamos mantê-lo sem correr o risco de perda ou desaparecimento. Por exemplo, se um documento está contido em um link, baixamos no PC e armazenamos duas cópias, pelo menos em dois discos diferentes, para garantir a sua preservação. Ou se você não pode fazer o download para o seu PC, capture a tela, pois qualquer informação da Web pode desaparecer amanhã.

sábado, 2 de novembro de 2013

Estudando ferramentas digitais para jornalistas

Este meu blog foi criado no primeiro curso do Knight Center Journalism in the Americas que fiz. Agora, estou no Curso “Herramientas Digitales Para Periodistas”, com a professora Sandra Crucianelli. Para guardar um pouco do meu aprendizado, estou postando hoje a primeira tarefa que fiz:

Profesora, Estoy retrasada en las tareas. Por esto, yo hizo todas juntas.

Creo que es possible hacer una crónica, sí, con lo que yo no conocia. Pero aún no tengo muchas habilidades y tendria que hacer otras busquedas. Pero, este seria un modo de comentarlos.  Yo empiecé por la procura más amplía, con la palavra Brasil, y "Porto Velho" entre comillas en el cuadro de frases exactas, en la última semana. Con la primera busca, encontré dos notícias sobre el tempo en mi ciudad: “Porto Velho”. Depues,  en segunda fase, para las últimas 24 horas. Y, por fin, com "finados" y "Porto Velho" (período hasta 24 horas). Se quedó así:

Dia quente em Porto Velho
Pouco antes das onze da manhã e a temperatura está em 27º, conforme registram os sites Clima Tempo e o Tempo Agora. Para o restante do dia, a previsão é que os termômetros subam acima dos 30º, uma vez que a máxima pode chegar a 31 ou a 36 graus, dependendo do site, mas ambos indicam possibilidade de chuvas neste sábado e domingo.

Finados, como está o feriado em Porto Velho
A grande movimentação nas regiões em que estão localizados os cemitérios da cidade, deixou o trânsito lento na manhã deste sábado (02), em Porto Velho. Segundo o site G1 Rondônia, a previsão é de que 40 mil pessoas fossem fazer visitas aos túmulos neste Dia dos Finados. Nos últimos dias as administrações dos cemitérios intensificaram o trabalho de limpeza geral para receber familiares e a comunidade porto-velhense.


Notícias diferentes neste Dia dos Finados
Estou fazendo um trabalho para o Curso “Herramientas Digitales Para Periodistas”, com a professora Sandra Crucianelli, da reconhecida instituição Knight Center Journalism in the Americas. E a tarefa de hoje é testar os buscadores avançados do Google. Aproveitando o Dia de Finados, fui procurar algumas notícias aqui de Porto Velho. Na maioria do textos, se mostra um dia comum de cobertura da data: limpeza de túmulos, quantidade de pessoas indo fazer visitas, vendedores ambulantes, circulação diferenciada da frota de transporte coletivo, enfim. Mas duas me chamaram a atenção, por serem mais originais.

A primeira mostra que no município de Rolim de Moura, o grupo Desbravadores realiza o Projeto “Guarde aqui seu Capacete Gratuitamente”, que visa dar aos motoqueiros visitantes do cemitério mais tranquilidade e segurança, sem estar  se preocupando com seus capacetes. E a segunda retrata o aumento na produção de velas, que chegou a mais de 40% durante esta época, em Porto Velho.

O Arcebispo Emérito de Porto Velho também se pronunciou sobre a data. Eis um trecho do artigo de Dom Moacyr Grechi: Diante deste testemunho, gostaria de repetir as mesmas palavras que pronunciei diante do túmulo de Chico Mendes, cujo sangue marcou a terra de Santa Cruz: “não devemos nunca desistir da nossa caminhada na construção de uma humanidade justa, a construção do reino de Deus. A morte daqueles que, como o Chico, dedicaram a vida por essa causa deve nos fortalecer para que nos inspiremos no que eles fizeram em vida, no sentimento de transformação da sociedade e principalmente pelo amor ao próximo e pelos mais pobres”.