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quinta-feira, 25 de maio de 2023

Minha Dissertação de Mestrado no Repositório Institucional da UNIR

 Memórias, sentidos e espetacularização nos discursos da cheia histórica do Rio Madeira (2013/2014)


Acesse o link https://www.ri.unir.br/jspui/handle/123456789/3266 






Dissertação de Mestrado apresentada ao de Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL), na Fundação Universidade Federal de Rondônia (UNIR), como requisito final para obtenção do título Mestre em Letras. Orientadora: Profa. Dra Nair Ferreira Gurgel do Amaral.

Resumo:
Esta dissertação tem como objeto de estudo principal os discursos sobre a Cheia do Rio Madeira, no ano de 2014, produzidos por diferentes instituições públicas. O locus é o município de Porto Velho, Rondônia. Com a finalidade de dar conta do trabalho proposto, o estudo parte de algumas questões norteadoras: Como o processo de cheia ao longo da Bacia do Rio Madeira se torna discurso? Quais memórias e sentidos estão inscritos neste discurso que rodeia a cheia do Madeira? Há espetacularização em torno do acontecimento subida ou descida das águas? O objetivo geral foi analisar os discursos sobre a cheia do Rio Madeira no ano de 2014, em Porto Velho, Rondônia. Especificamente, a busca é por atender aos objetivos a) analisar os discursos de diferentes instituições da sociedade local, comparando memórias e sentidos presentes/ausentes na interdiscursividade; b) verificar como a espetacularização produziu sentidos na mídia impressa da época e c) investigar as ideologias presentes/ausentes nos discursos em relação à elevação das águas, discutindo as condições de produção do discurso e dos sentidos. Este estudo é classificado como exploratório, sendo a pesquisa bibliográfica e documental. O corpus constitui-se de cinco gêneros discursivos (dois informes técnicos, uma manchete de capa e dois textos-notícia, um da seção geral e um do caderno de política). Os principais referenciais que fundamentaram a pesquisa foram Maingueneau (1993; 1998; 2013; 2016); Foucault (1992; 2014); Pêcheux (2014; 2015); Gregolin (2000; 2003); Possenti (2009; 2010); e Orlandi (2011; 2012; 2013). Com isso, é possível concluir que as águas de um rio não correm isoladas das disputas que dele fazem parte. No caso do Rio Madeira, há uma contínua luta por espaço que é tão gigante enquanto ele o é, pois, a sua riqueza mitológica de pertencimento amazônico o faz procurado historicamente, assim como, pelo grande poder atual de atrair investimento em nome do desenvolvimento não só da região, mas do país.

Minha Dissertação de Mestrado no Repositório Institucional do IFRO

Memórias, sentidos e espetacularização nos discursos da cheia histórica do Rio Madeira (2013/2014)

Acesse o link: https://repositorio.ifro.edu.br/handle/123456789/335




Dissertação apresentada ao Mestrado Acadêmico em Letras, da Fundação Universidade Federal de Rondônia – UNIR, como requisito parcial para obtenção do título de Mestra em Letras, em 2018.


Resumo:

Esta dissertação tem como objeto de estudo principal os discursos sobre a Cheia do Rio Madeira, no ano de 2014, produzidos por diferentes instituições públicas. O locus é o município de Porto Velho, Rondônia. Com a finalidade de dar conta do trabalho proposto, o estudo parte de algumas questões norteadoras: Como o processo de cheia ao longo da Bacia do Rio Madeira se torna discurso? Quais memórias e sentidos estão inscritos neste discurso que rodeia a cheia do Madeira? Há espetacularização em torno do acontecimento subida ou descida das águas? O objetivo geral foi analisar os discursos sobre a cheia do Rio Madeira no ano de 2014, em Porto Velho, Rondônia. Especificamente, a busca é por atender aos objetivos a) analisar os discursos de diferentes instituições da sociedade local, comparando memórias e sentidos presentes/ausentes na interdiscursividade; b) verificar como a espetacularização produziu sentidos na mídia impressa da época e c) investigar as ideologias presentes/ausentes nos discursos em relação à elevação das águas, discutindo as condições de produção do discurso e dos sentidos. Este estudo é classificado como exploratório, sendo a pesquisa bibliográfica e documental. O corpus constitui-se de cinco gêneros discursivos (dois informes técnicos, uma manchete de capa e dois textos-notícia, um da seção geral e um do caderno de política). Os principais referenciais que fundamentaram a pesquisa foram Maingueneau (1993; 1998; 2013; 2016); Foucault (1992; 2014); Pêcheux (2014; 2015); Gregolin (2000; 2003); Possenti (2009; 2010); e Orlandi (2011; 2012; 2013). Com isso, é possível concluir que as águas de um rio não correm isoladas das disputas que dele fazem parte. No caso do Rio Madeira, há uma contínua luta por espaço que é tão gigante enquanto ele o é, pois, a sua riqueza mitológica de pertencimento amazônico o faz procurado historicamente, assim como, pelo grande poder atual de atrair investimento em nome do desenvolvimento não só da região, mas do país. 

domingo, 16 de abril de 2017

Objetividade e ciência

Sendo jornalista me interesso pelo tema objetividade. No caso do post de hoje, estará relacionado à ciência.
Sobre o fazer científico: no jornalismo o tema pode ser utilizado em matérias de cunho científico, e até mesmo o jornalismo é uma disciplina científica. Portanto, academia e ciência​ estão ligadas​ a questões comunicacionais.
 [...]A racionalidade tomada, então, à luz do ideal da objetividade desemboca na noção de lei do objeto, que, por estar referia ao objeto morto, permite cálculo, previsão, manipulação. A racionalidade abstrata das leis tem um papel bastante preciso: permitir o controle e a instrumentalidade de todo o real. O objeto completamente determinado, isto é, a objetividade, é o objeto completamente dominável, tanto no nível do saber quanto no nível da ação.  [...]Na base da oposição ideologia-ciência (entendida como oposição entre lacunar e pleno, não-objetivo e objetivo), encontra-se certa noção de objetividade que se acha presente tanto na ideologia quanto na ciência, de tal modo que criticar a primeira pela segunda em nome da objetividade gera um engano infindável. Em outras palavras, uma das possibilidades para a elaboração do discurso crítico como contradiscurso encontra-se na possibilidade de realizarmos uma crítica da própria noção de objetividade, em cujo nome ideologia e ciência de digladiam. 
As passagens acima são do livro de Marilena Chaui “Cultura e Democracia – o discurso competente e outras falas”, em que a filósofa analisa que a ciência enquanto racionalidade “realiza as finalidades da ideologia muito melhor do que a velha ideologia lato sensu”. Então, se nem o próprio discurso científico passa pelo crivo da objetividade sem ideologia, que se dirá do discurso jornalístico!

Uma vez construída a ideia de que o real é racional, e que essa racionalidade consiste num conjunto de leis universais e necessárias ou de modelos fixos, torna-se possível pensar a sociedade não como constituída pela divisão originária das classes, mas apenas contendo divisões. Que divisões a sociedade conteria? A das esferas chamadas instituições sociais. A sociedade é, então, considerada como composta por uma série de subsistemas ou de subunidades, cada um deles tendo sua racionalidade própria e, portanto, sua própria objetividade, sua própria transparência, suas próprias leis. Por outro lado, o todo da sociedade funcionaria graças a uma articulação harmoniosa desses vários subsistemas ou subunidades. Cada um deles possuiria a sua harmonia e, no todo, funcionariam harmonicamente. A explicação funcionalista e a explicação estruturalista são exemplares, neste particular, dessa racionalidade como um todo composto de partes. Ora, noções, como a de burocracia, organização administrativa e planejamento da sociedade estão vinculadas a essa concepção de um todo composto de esferas dotadas de racionalidade própria e articuladas, de sorte que a maneira pela qual a sociedade é pensada resulta na maneira pela qual se admite a racionalidade de suas formas de organização institucional.

É muito bom ler esse desvendamento feito por Chaui. É uma filósofa que considero muito importante. Mas saber que objetivo é o discurso científico, enquanto o não-objetivo estaria ligado ao discurso ideológico também não resolve nossas histerias por uma sociedade melhor. Vejamos o que diz outra passagem de seu texto:
 
Cometeríamos um grande engano se imaginássemos que a um discurso ideológico “falso” se opõe um discurso ideológico “verdadeiro”, que seria o discurso ideológico lacunar depois de preenchido.  Se preenchêssemos o discurso ideológico, na realidade estaríamos produzindo um outro discurso e o contraponto se estabeleceria, então, entre o discurso ideológico e um outro discurso não-ideológico lacunar. Seria ilusório imaginar que o mero preenchimento da lacuna traz a verdade. Dessa ilusão nasceu uma velha tradição hoje reavivada entre os pensadores contemporâneos por Louis Althusser: a ilusão de que a partilha se faz entre a ideologia e a ciência, isto é, a ciência considerada como discurso pleno oposto à ideologia como discurso lacunar. Na verdade o “corte” não  passa por aí. Se quisermos ultrapassar essa ilusão precisaremos encontrar um caminho graças ao qual façamos o discurso ideológico destruir-se internamente. Isto implica ultrapassar uma atitude meramente dicotômica rumo a uma atitude teórica realmente dialética, encontrando uma via pela qual a contradição interna ao discurso ideológico o faça explodir. Evidentemente, não precisamos aguardar que a ideologia se esgote por si mesma, graças à contradição, mas trata-se de encontrar uma via pela qual a contradição ideológica se ponha em movimento e destrua a construção imaginária. Essa via é o que domino discurso crítico. Este não é um outro discurso qualquer oposto ao ideológico, mas o antidiscurso da ideologia, o seu negativo, a sua contradição.
 
Para encerrar...


[...] Com efeito, a ideologia realiza uma operação bastante precisa: ela oferece à sociedade fundada na divisão e na contradição interna uma imagem capaz de anular a existência efetivada luta, da divisão e da contradição: constrói uma imagem da sociedade como idêntica, homogênea e harmoniosa. Fornece aos sujeitos uma resposta ao desejo metafísico da identidade e ao temor metafísico da desagregação.
[...] A ideia de que o Estado representa toda a sociedade e de que todos os cidadãos estão representados nele é uma das grandes forças para legitimar a dominação dos dominados.


terça-feira, 26 de maio de 2015

Linguística e Identidade Cultural

Fiz prova outro dia em uma seleção de mestrado. O tema sorteado para a avaliação teórica foi “Língua, linguagem, texto e contexto”. Um dos livros indicados para leitura era o de Stuart Hall (Identidade cultural na pós-modernidade, 11ª ed, DP&A editora). Me saí bem na prova – caso fiquem curiosos –, mas o que farei aqui no meu blog é reler o livro e estudar mais um pouquinho o que nem pensei em citar aquele dia. Afinal, ler um livro e ter todas suas mensagens na cabeça ainda não faz parte do que consigo fazer!

Vamos lá, ver o que dá?

Para este começo, imaginar que ligação teria entre essas quatro palavras com o debate sobre as mudanças ocorridas na sociedade (inserida na modernidade/pós-modernidade) e a identidade dada aos indivíduos.

A tal “crise” de identidade interfere na língua/linguagem? Bom, se ambas são sociais, então, o que ocorre no meio em que vivemos traz reflexos (e muito!).

E se as identidades estão sendo deslocadas, não são fixas como em alguma época anterior o foram: o discurso e a materialidade da língua também passam de alguma forma por “descentração”. Esse olhar histórico, que remete na atualidade para a globalização, nos leva ao que Stuart Hall recorre a Marx: “Tudo o que é sólido se desmancha no ar”.

Nestas novas condições de produção, analisa-se como os indivíduos não são “autores” de seus discursos ou de suas trajetórias sociais, pois é necessário  aos sujeitos fazer uso do que é imposto (por assim dizer) pelas gerações anteriores (todas as vozes que nos antecederam). Ideologia esta que também perpassa a língua:

Nós não podemos utilizar a língua para produzir significados apenas nos posicionando no interior das regras da língua e dos sistemas de significação de nossa cultura. A língua é um sistema social e não um sistema individual. Ela preexiste a nós.

Ancorado em Ferdinand de Saussure, Stuart nos mostra o quão complexo é tratar de autoria, texto ou linguagem, dada a “imensa gama de significados que já estão embutidos em nossa língua e em nossos sistemas culturais”.

Vejo que escrever sobre a questão da identidade traz ao tema da prova diversos enfoques para análise, ampliando o contexto a ser observado. Com o grau de relacionamento entre o global e o local hoje observados (algo que ocorre em uma comunidade pode causar grandes transtornos a outras regiões, os eventos se interligam), é de fato muito interessante se manter atento ao que se passa com o sujeito pós-moderno (nosso contemporâneo em todas as mudanças ocorridas e a ocorrer).

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Retornando...

Puxa! Há quanto tempo não escrevo para o meu blog. Estou em falta comigo e com minhas anotações virtuais. Cobrança interna é o que não me falta, pois vivo me perguntando onde estão os textos para serem publicados. Por outro lado, a vida é mesmo assim, de altos, baixos e médios dias. Alguns mais produtivos e outros dedicados à reflexão ou mesmo ao descanso.

Buscando ideias sobre o que postar aqui, pensei em dividir minhas atuais atividades: estudar Análise do Discurso. No ano passado me matriculei nesta disciplina no Mestrado em Letras da Universidade Federal de Rondônia, a UNIR. Este ano, o desafio é um artigo (que estou ainda em fase de escrita).

Um dos livros que estou lendo é Por uma análise automática do discurso, organizado por Françoise Gadet e Tony Hak. Nele posso descobrir um pouco mais sobre a obra de Michel Pêcheux, um dos teóricos fundadores dessa forma de estudar não apenas a linguagem, Se em mas a subjetividade advinda do lugar da qual o sujeito fala e de todas as ideologias que perpassam esse ato.

Para iniciar, o livro mostra que antes de publicar Análise Automática do Discurso (AAD-69), Pêcheux publicou sob o codinome Thomas Hebert dois textos mais ligados ao materialismo histórico e à psicanálise. Entre o intervalo de tempo dessas publicações, lançou artigos sobre análise do discurso. Ele faz, com isso, uma grande crítica às ciências sociais (análise de conteúdo, o psicologismo e o sociologismo) e à psicologia social, em particular.

O interessante é que estudar Análise do Discurso também me abre um leque grandioso de estudo na comunicação social, porém, mais que isso, contribui na minha visão sobre a sociedade. Afinal, não há transparência no discurso, no que está aí como resposta pronta para nós cidadãos do mundo.

Encontrei esse site e deixo como sugestão para conhecer mais sobre Pêcheux: LABEURB da Unicamp. 

domingo, 6 de julho de 2014

Queijos, vermes e imprensa

Terminei hoje a leitura do livro de Carlo Ginzburg, O Queijo e os Vermes (2006, 6ª reimpressão), conforme recomendado pelo professor Artur Moret (Universidade Federal de Rondônia). No final, tive a impressão de ter voltado aos bancos universitários e estar vendo o filme O Nome da Rosa, baseado no romance de Umberto Eco. Na história, os crimes investigados pelo frade franciscano William de Baskerville, com ajuda do noviço Adso de Melk, mostram o que se igreja da época para impedir a livre distribuição de conhecimentos, no caso as obras apócrifas, os livros “proibidos”.  



Isso, de alguma maneira, se liga ao poder da imprensa em difundir o conhecimento, conforme podemos observar na fala do estudioso David Gitlitz, que é especialista em História Medieval,  no documentário (acima) que faz um resumo sobre a época e sobre o livro de Ginzburg:

Era mais fácil para a igreja manter o controle da teologia quando os livros custavam caro demais e os únicos que podiam compra-los eram igrejas e monastérios. Assim que a imprensa tornou o livro de bolso disponível a qualquer um que juntasse algumas moedas, ficou muito mais difícil manter o “Cabresto”.

E se é necessário continuar a refletira, a recordar para não repetir erros passados, vale lembrar que na mesma época que o Menocchio (Domenico Scandella), o moleiro perseguido pela inquisição, também era condenado o teólogo, filósofo, escritor e frade dominicano italiano Giordano Bruno (morto na fogueira pela Inquisição romana em 17 de fevereiro de 1600). E, tempos depois, o físico, matemático, astrônomo e filósofo italiano Galileu Galilei (queimado vivo em 8 de janeiro de 16422 ), especialmente por defender que era a terra quem girava em torno do sol.

No prefácio à edição inglesa, Carlo Ginzburg traz como análise de número 9:

Dois grandes eventos históricos tornaram possível um caso como o de Menocchio: a invenção da imprensa e a Reforma. A imprensa lhe permitiu confrontar os livros com a tradição oral em que havia crescido e lhe forneceu palavras para organizar o amontoado de ideias e fantasias que nele conviviam. A Reforma lhe deu audácia para comunicar o que pensava ao padre do vilarejo, conterrâneos, inquisidores – mesmo não tendo conseguido dizer tudo diante do papa, dos cardeais e dos príncipes, como queria. As rupturas gigantescas determinadas pelo fim do monopólio dos letrados sobre a cultura escrita e do monopólio dos clérigos sobre as questões religiosas haviam criado uma situação nova, potencialmente explosiva.

Antes de voltar ao livro de Ginzburg, no site Palavra da Verdade há a seguinte definição que se torna importante neste momento:
Inquisição - do latim Inquisitio, é um termo que deriva do ato judicial de inquirir, que significa perguntar, averiguar, pesquisar, interrogar. A Inquisição foi uma operação oficial conduzida pela Igreja Católica a fim de apurar e punir pessoas que não comungavam com os princípios ortodoxos da Igreja Católica.
Hereges - pessoas que pensavam, ou agiam, de forma conflitante com o que a Igreja apregoava como verdade.

De acordo com o livro, Menocchio teve a ousadia de “afirmar que o mundo tinha origem na putrefação”:
Tudo era um caos, isto é, terra, ar, água e fogo juntos, e de todo aquele volume em movimento se formou uma massa, do mesmo modo como o queijo é feito do leite, e do qual surgem os vermes, e esses foram os anjos.

Concordo com o Posfácio escrito por Renato Janine Ribeiro nesta edição: “Menocchio é um herói, ou mártir da palavra”. Ele, um homem simples que leu muito (certo que não sabia escrever muito bem, uma vez que estava inserido ainda numa sociedade ainda com fortes traços de oralidade), e de fato, não só leu, refletiu. Ah, precisamos disso também hoje, ler, ter ideias, discordar, concordar com fundamento, enfim, pensar! Assim, como tenta esclarecer Ginzburg há uma ambiguidade em relação à “cultura popular”, em que ele conclui afirmando que há também “a impressionante convergência entre as posições de um desconhecido moleiro friulano e as de grupos de intelectuais dos mais refinados e conhecedores de seu tempo repropõe com toda força o problema da circularidade da cultura formulado por Bakhtin”. 

Segundo enfatizado por Renato Janine, “suas palavras são um protesto, são a recusa desse horror. Sua curiosidade, opiniões e destino fazem dele um desses homens para quem dizer o que pensam é tão importante que, por isso, arriscam a própria vida. Nem toda confissão é uma vitória da tortura; porque às vezes a pior tortura é ter a voz silenciada”. Dessa maneira de Menocchio, que tudo tenta entender  e questionar, o escritor afirma:

O importante não é o que o Menocchio leu ou recebeu – é como leu, é o que fez de suas experiências; o que diminui a distância que se costuma propor entre leitura e escrita, entre uma postura passiva e outra ativa diante do conhecimento.

Para saber mais sobre o autor Carlo Ginzburg e sobre a obra O Queijo e os Vermes, leia o livro ou acesse a resenha de William Cirilo.